J. M. Freitas Em tempos longínquos a política era a vida da cidade. A ela eram propostos os melhores entre os cidadãos, os mais honestos, os comprovadamente mais competentes, mais respeitadores dos valores das sociedades onde viviam. Há trinta, quarenta anos, na madrugada da democracia em Portugal, distinguiam-se políticos, em todos os quadrantes ideológicos, de Adriano Moreira, Amaro da Costa, Magalhães Mota, Sá Carneiro, Salgado Zenha, Mário Soares, a Álvaro Cunhal. Eram respeitados, reconhecidamente competentes, tendo dado provas de vida e luta, cada um pelos seus ideais. Nas últimas décadas muita gente séria, competente, comprovadamente honesta, se afastou da política. Em seu lugar surgiu, progressivamente, uma onda de arrivistas, medíocres e sem escrúpulos, que assaltaram as diversas estruturas do poder, das locais às mais altas esferas da governação, das empresas públicas, parapúblicas ou mesmo privadas (vide «casos bancários» ), para tal bastando a inscrição e exibição do seu emblema político. O Povo, ignorante ou desatento, iludido pelas promessas de bem estar e riqueza, foi votando no «clube» que lhe prometia mais vitórias, iludido com «papas e bolos» que, desgraçadamente, apenas engordavam os medíocres e desonestos governantes e seus apadrinhados. Instalou-se o regime da MEDIOCRACIA ( o governo dos medíocres ) que se distinguiam pelos cursos com «fabulosas» médias de 10 valores e, ou, «canudos» comprados a pronto ou a «créditos». Não sendo «essencial», o ser doutor dá estatuto perante « os patas rapadas», ou com sapatos chineses. A gente séria, honesta e competente, afastou-se amargurada, não querendo ser confundida com a chusma de oportunistas sempre pronta a apunhalar os que os precediam para ganhar um lugar um «tacho», uma mísera benesse. Honestidade, lealdade, fraternidade o que é isso? O país navegou sem rumo, ao sabor dos ventos e marés, sem timoneiros capazes, guinando ora à direita ora à esquerda, iludido pelo sonho das riquezas fáceis dos subsídios, que apenas engordavam os que mandavam e os que com eles se amigavam. Quando sentirá o povo que chegou a hora de exigir responsabilidades aos incompetentes que lhes mentiram? Quando serão presentes à justiça, e recolhidos às prisões, os muitos que roubaram e se enriqueceram nos lugares que ocuparam? Honra seja feita aos honestos que, muitas vezes enxovalhados, heroicamente se batem pela verdade e pelos valores éticos que ainda estão arreigados na consciência do nosso povo. Como recentemente disse Bagão Felix ...« a vida pública é uma verdadeira selva humana de pessoas sem qualidade sem competência e sem ética». Quando ouvirá a «Pátria ... a vós dos seus egrégios avós» ?