Opções tomadas, nalguns casos, há décadas, levaram-nos ao ponto em que hoje nos encontramos. Se isto é verdade para muitas realidades económicas distintas, é particularmente verdade para o turismo, e muito especialmente para a versão praticada na Madeira. A opção pelo turismo, não de massas porque não temos dimensão para isso, mas de "número", decorreu da necessidade/vontade política de assegurar mais postos de trabalho. O que aconteceu foi que, há medida que os "números" cresciam, o número de postos de trabalho no turismo, e particularmente na hotelaria, caia. O número de trabalhadores por cama em hotelaria tem passado por uma quebra constante, que se prolonga há décadas. Isto leva, necessariamente, a quebras de qualidade, porque se nalguns casos é possível informatizar/mecanizar funções, este processo tem limites óbvios. Quando se insiste demasiado na polivalência, a satisfação dos trabalhadores cai, e a qualidade apercebida pelo cliente também. Com uma quebra na perceção de qualidade, dá-se uma quebra nos montantes cobráveis pelo serviço prestado, e uma menor rentabilidade do sector. O revpar a preços constantes é outro indicador que tem assistido a um declínio quase constante. Há solução? Há sempre solução. Neste caso, provavelmente procurar a desintermediação, promover a captação de clientes com maior poder de compra, o que passa necessariamente por uma maior diferenciação e um aumento da qualidade do destino como todo. É fácil? Não, e se-lo-á cada vez menos. Vale a pena? Só tentando, mas por este caminho já está visto, não chegamos lá.
Roberto Loja