John Dewey dizia que "uma sociedade livre deve produzir pessoas livres": pessoas capazes de compreenderem a sua situação e de poderem alterá-la, caso assim o desejassem. Para isso é crucial garantir o acesso ao conhecimento e à análise crítica da informação que recebemos. "Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo", dizia Wittgenstein. Esta afirmação era mais literal do que imaginávamos: se a linguagem permite "programar" o nosso cérebro (basta ver as Teorias da Programação Neurolinguística), então aquilo que lemos pode também "programar" a nossa mente, como foi confirmado por estudos recentes feitos pela Emory University na Georgia. Esta ligação entre linguagem e pensamento é tão intensa que verificaram que no cérebro, ler algo é (quase) equivalente a passar por essa vivência porque as mesmas zonas neurológicas são estimuladas, activando as mesmas partes do cérebro que reagem quando sonhamos. Por isso, ler ficção é quase como ter um "sonho lúcido". Tal como dizem que "somos o que comemos", aparentemente também somos o que lemos. Infelizmente, mais informação não é sinonimo de maior qualidade. Talvez lemos mais do que nunca (considerando o tempo que passamos na internet), mas a maior parte do que lemos talvez seja apenas 'junk food' mental. Assim, como é nossa obrigação cuidar da alimentação do corpo, só alimentando devidamente a mente é que poderemos ter o espírito crítico que Dewey sonhava ao problematizar o conceito de sociedades livres.

Roberto Macedo Alves - Desenhador de BD