A mudança pela qual desde há muito se anseia, tema dos meus últimos artigos, neste olhar a "Madeira vista de fora", diria estar mais à vista, sendo todavia ainda longo e penoso o caminho até lá se chegar. Sem deixar lugar a dúvidas, é mais uma vez o CDS/PP-Madeira que, por assim dizer, permite perspectivar essa mudança e mostra o caminho, na realização do seu congresso que hoje termina, o primeiro após a vitória que conseguiu nas eleições regionais de Outubro que, como então escrevi, teve "um vencedor - o CDS de José Manuel Rodrigues que, com todo o mérito, passou de quarta para segunda posição, na prática, esmagando o PS". Por outro lado, ao nível da Direcção do PSD-Madeira, percebe-se algum nervosismo, depois de todas as peripécias geradas à roda das candidaturas à sua chefia, em paralelo com o anúncio do candidato à Presidência da Câmara Municipal do Funchal, cuja eleição se aproxima. Mais ainda, a notícia de ontem sobre a realização do respectivo congresso do partido, antecipando-o, depois de o seu protelamento, para além do prazo estatutariamente estabelecido ter sido antes notícia, parece ser mais uma reviravolta, quiçá, uma tentativa desesperada de uns quantos, na defesa de determinadas situações e, pasme-se, o congresso afinal será ainda antes do final deste ano. Por este andar, já não admira que a antecipação das eleições para a Assembleia Legislativa Regional, além de uma necessidade se torne numa realidade, para a normalização da governabilidade da Região, que o CDS está pronto a assumir, como afirmaram os seus dirigentes, nomeadamente, o Presidente Paulo Portas, que esteve presente na abertura do congresso. Na ocasião, José Manuel Rodrigues, anunciou também as linhas gerais propostas para a nova governação, face ao agravamento da conjuntura sócio-económica regional dos últimos anos, o que, oxalá possa contar com a compreensão de todos, que o bom senso retorne e prevaleça, criando LUGAR PARA TODOS, tal como escrevi, neste mesmo espaço, há cerca de um ano. Embora, aparentemente, fora do contexto, não devo deixar de registar uma preocupação que, também "de fora", já manifestei e tem que ver com a situação do "buraco" que é o que resta do Savoy, uma responsabilidade partilhada pela governação regional. Encerrado há mais de 3 anos, com dispensa de mais de uma centena de trabalhadores, demolido há 2 anos, sabe-se agora, como noticiou a imprensa (Diário de 10/7) não existir qualquer indicação ou previsão sobre o início da nova construção. O mesmo parece significar que a decisão e a necessária aprovação oficial, aconteceram, como tantas vezes se diz de ânimo leve sem acautelar o planeamento económico-financeiro competente e, bem grave, será uma situação ainda sem mudança à vista.
Francisco Leite Monteiro