Aqui está o novo modelo de apoio ao desporto regional. E agora? Diz o provérbio popular "Quem diz a verdade não merece castigo" mesmo quando essa verdade vem abalar os mais distraídos e possa pôr em causa um trabalho de longos anos. Este modelo tem por base a maior das verdades desta vida capitalista e recentemente viciada na contenção orçamental: Não há dinheiro, não há vício! Com estes 10 milhões, haverá com certeza menos vícios. Este acto de coragem (ou de loucura) é visto como a machadada final no desporto regional e no princípio do fim de muitos clubes. A verdade é que os menos resignados já começaram a trabalhar para encontrar soluções capazes de minimizar os "estragos" agora conhecidos enquanto outros continuarão a lamentar-se da injustiça do modelo desportivo apresentado. Infelizmente, é preciso repensar o desporto madeirense na sua essência e não cair na tentação de desculpar os nossos próprios fracassos. É verdade que este modelo vem na pior altura pois acredito que a solução dos clubes e associações não passa por buscar as receitas nos privados ou famílias dos atletas mas sim em racionalizar e rentabilizar os recursos humanos e materiais que cada organização tem à sua disposição. É utópico a tutela pedir que se faça o mesmo com menos, muito menos, mas é legítimo que seja pedido rigor, empenho e compromisso para o futuro. Esta é a nossa dura realidade: acabou o habitual financiamento aos clubes e associações. Este modelo de apoio ao desporto regional servirá apenas os mais comprometidos no desenvolvimento sustentado do desporto madeirense, a começar pelo governo.

Arlindo Vieira, Colaborador da AAUMa