Severino Olim Em véspera da Região comemorar os 36 anos de Autonomia as classes médias atravessam um período de grandes dificuldades, sufocadas por um rol de impostos e de taxas sem paralelo ao longo da história da nossa democracia. Sentem que as bandeiras da autonomia utilizadas em diversas circunstâncias na defesa dos primados consagrados pelo estatuto político e administrativo da Madeira foi uma quimera passageira que naufragou sem rumo e sem chama para de novo irromper do centro do basalto deste vulcão ainda adormecido. No meio de tanta bruma aquecida já não se ouvem os gigantes da embarcação, nem palavras de um discurso ousado, compreensivo e racional que amortize a revolta e o desespero de tantas famílias que a partir do próximo ano lectivo ficarão sem qualquer apoio social escolar. Parece paradoxo, mas é nas Creches onde mais se sentirá o peso da austera proposta da SRE em querer eliminar o escalão almofada/transição, impingindo aumentos na ordem dos 72% sobre o valor anterior de 129 euros. Esta realidade é consubstanciada pelos dados que recentemente foram divulgados pela SRE/Dir. Reg. Planeamento Recursos Infraestruturas, inferindo que pela primeira vez na historia da autonomia regional as Creches registaram quebras pela sua procura. Com a eliminação do escalão almofada o qual trazia alguma equidade no escalonamento dos escalões sobre os rendimentos das classes medias, o governo avança com a tal proposta onde inclui no mesmo saco rendimentos de famílias do escalão transição com outros rendimentos mais elevados, abarcando pelo menos 30% das crianças com idades de Creche e de jardim de Infância. É legitimo perguntar ao Sr. Secretario da SRE se a percentagem que utilizou para chegar ao valor de 221 euros foi de 15% como teima os seus serviços a rebater ou foi, na verdade, os 72%? Mais, com que rendimentos vão liquidar a comparticipação relativa ao último mês de frequência (Julho) cobrada em quatro prestações, sendo a primeira devida com a mensalidade de Fevereiro e a ultima em Maio no valor de 276,25 ( 221,00+55,25)? E, caso a proposta vá em frente, o que tem o Sr. Secretário a dizer aos Pais com gémeos que terão que desembolsar a duplicar 552,50 euros sem apelo nem agravo? Sabendo que estes pais ficarão sem metade dos seus vencimentos, hipotecados com a creche, como vão pagar as outras despesas essenciais ao funcionamento de uma mínima qualidade de vida de uma família? Como se tudo isto não bastasse, têm ainda a factura do IMI em Abril que destrona qualquer pé de meia ou mesmo os fundos dos mealheiros das crianças num desespero letal e com graves consequências para a estruturação familiar. Por conseguinte, por mais contas que nesta altura possam fazer a solução passa por retirar os filhos da creche com prejuízos incalculáveis para desenvolvimento integral da criança, para o futuro da Madeira e para os valores que a autonomia deve consagrar a qualquer custo.