1. Uma deslocação à Madeira em altura de férias é tarefa quase impossível para o trabalhador honesto, castigado pelas consequências nefastas da famigerada crise financeira. Um trabalhador que cumpra escrupulosamente o pagamento da carga fiscal brutal que lhe foi imposta por políticos incompetentes, a quem lhe subtraíram o subsídio de férias, de Natal, e que não tenha outros proveitos, ajudas de custo ou reformas acumuladas por empregos fáceis não tem outra hipótese que não seja adiar para as calendas o regresso sempre ansiado às origens. O madeirense honrado que veio para Lisboa à procura da vida melhor que não encontrou na sua terra natal tem de se conformar em gastar os parcos recursos no perímetro da sua residência habitual. Tudo porque a companhia aérea portuguesa continua a praticar tarifas estupidamente caras no trajeto Lisboa-Funchal, sacrificando uma região turística nacional, que precisa de atividade económica como de pão para a boca. Senhor presidente da TAP: eu, cidadão português, nascido na região autónoma da Madeira, quero gastar alguns euros que canalizei para as minhas férias na terra que me viu nascer. Importa-se? Apesar de saber nadar desde tenra idade (sim, sou da geração do "Golfinho de Ouro"), não vou conseguir fazer os cerca de mil quilómetros da travessia atlântica em tempo útil. Por mais vontade que tenha. Preciso mesmo de um dos vossos aviões. Sim, de um dos nossos, e de um lugar para atrás do cortinado que separa os "doutores" dos "patas rapadas". Senhor Fernando Pinto, sabe o que mais me revolta nesta palhaçada continuada dos voos da TAP para a Madeira? É constatar que o meu vizinho que reside em Madrid, mas que tem a namorada em Las Palmas, nas Canárias, faz uma viagem de quase três horas por um valor muito inferior ao que tenho de pagar para poder beber a bica no "Apolo" ou dar um mergulho nas piscinas naturais do Porto Moniz. E na sua companhia de bandeira, a Iberia. Mas, sabe, o que me tira mesmo do sério e me deita nas brasas, senhor presidente da TAP? É que o inglês nascido no rochedo do norte de África chamado Gibraltar, paga menos que eu quando se desloca desde Londres. E garanto-lhe que o avião da BritishAirways gasta muito mais combustível que o da TAP... O senhor, que é brasileiro, deve visitar, amiúde, o seu país. Provavelmente viagens custeadas pela companhia a que preside. O mesmo é dizer, por todos nós. Adiante. Já agora, e para eu ficar um pouco mais conformado com a minha triste sina, a tarifa que adquire numa deslocação que cruza o Atlântico é mais cara que a minha, certo? Posso ajudar: nas datas que pretendo voar para a Madeira, em julho, o sítio da internet da sua companhia dá-me o valor de 310,91 euros, ida e volta. Apesar de todas as contrariedades provocadas por greves de pilotos e controladores egoístas, continuo a não entender a política da empresa para esta região portuguesa. Por muito menos voa para quase toda a Europa. 2. Confesso que nunca fui entusiasta do espetáculo circense. Nem quando me ofereciam bilhetes para ir ao Almirante Reis assistir às matinés de domingo. Sempre me diverti mais com os espontâneos "palhacinhos de serviço" do que com os profissionais. Deixo uma sugestão aos que, como eu, não apreciam o circo. Acedam a um motor de busca da internet e pesquisem "Assembleia Legislativa da Madeira". Retirem, depois, as vossas conclusões. Ali o "espetáculo" está garantido. Escasseiam-me as palavras para traçar o retrato fiel do que por lá se passa. *Artigo escrito de acordo com a nova grafia

Roberto Ferreira