O plano de resgate, da responsabilidade do PSD/CDS, anula o princípio constitucional da continuidade territorial e faz com que os governos, de lá e de cá, se demitam das suas responsabilidades, traindo a Autonomia. Trata-se de um plano sem preocupações sociais, económicas e políticas, antes pelo contrário, passa ao largo dos problemas da economia, do desemprego e, não menos importante, dos entorses democráticos e das políticas de regabofe. Afinal, onde está a ética desse famigerado plano, quando vendem os princípios da Autonomia a troco de 30 dinheiros? Aumentam os impostos, anularam o diferencial fiscal como se não tivéssemos custos de insularidade, retiraram os subsídios de insularidade e dois vencimentos aos trabalhadores e pensionistas; no imposto sobre os combustíveis, ainda foram mais longe, para não mexer nos dolosos contratos das vias Litoral e Expresso, é 15% mais caro do que no Continente. Mas, não mexem nos interesses instalados, nas políticas que corrompem a Autonomia, como disse no artigo anterior. O Estatuto continua a mofar na gaveta, o regime de incompatibilidades mantem-se à medida dos políticos/empresários do regime, os titulares de cargos políticos continuam a cumular a reforma com o ordenado e a beneficiar de subsídios de reintegração e de subvenções vitalícias. Outro caso, é o do JM que, além das condenações das reguladoras, custa 5.000.000€/ano aos contribuintes, enquanto há famílias a passar fome. Aqui, se é intolerável a austeridade que nos é exigida, mais intolerável é a indiferença do PSD de Passos Coelho que tudo tem feito para impedir a moralizar este escândalo.

Jacinto Serrão, Deputado do PS na AR