Tive oportunidade de estar em Glasgow, Escócia, em trabalho, uma semana antes das celebrações dos 60 anos de reinado de Isabel II. O clima que se vivia nas ruas era de celebração generalizada com as montras com imagens ou mercadorias alusivas às celebrações e sentia-se um apoio profundo à Rainha e ao modo como tem desempenhado a sua função. Fiquei surpreendido com a qualidade e a variedade das mercadorias alusivas que incluíam as tradicionais chávenas com a fotografia da Rainha ou do casal real até peças de design sofisticado com as cores da bandeira ou com os cães favoritos da Rainha. A juntar a estas mercadorias havia todas as dos fornecedores oficiais da Rainha. Havia para todos os gostos e para todos os preços, o que deve ter gerado um grande volume de negócios não só pelas compras dos turistas que aproveitaram para visitar o Reino Unido nesta altura, mas de muitos Britânicos que quiseram ficar com uma recordação da duração de um reinado que só ainda não ultrapassou o da Rainha Victória. Li num livro que a Rainha, nas suas múltiplas visitas oficiais, é como a ponta de um V em que é ela quem vai à frente para, como emissária da boa vontade, abrir as portas para depois como que formando o corpo do V irem os Ministros e os empresários para fazerem os acordos e os negócios. A presença da Rainha é, quase sempre, a garantia de sucesso. Num dos jornais que li durante o voo de regresso comparava-se os gastos dos contribuintes dos diferentes países com as várias famílias reais e com o que a França gastava com a família Sarkozy. A acreditar nos números apresentados a família real britânica é a que mais custa aos contribuintes mas mesmo assim o custo é menos de metade do que os franceses gastavam com a sua família presidencial. Independentemente das nossas posições a favor ou contra a monarquia a Rainha Isabel II é um exemplo de dedicação à causa pública e, como tal, merece a admiração de todos nós.
Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira