Mário Tavares Os borrões nunca significaram nem dignidade nem identidade. Contudo existe muito oportunismo socialmente instalado que procura aproveitar-se de identidades com significado, escondendo-se por detrás de biombos, eu chamo a isso, borrões. Assim atraem em favor próprio o bom efeito da imagem, sob a qual se protegem, ou os inúmeros membros das suas comunidades. É o caso do Jornal da Madeira, órgão da Diocese, posto nas mãos do Dr. Alberto João, quando este foi nomeado diretor por D. Francisco Santana, já lá vão quase quatro décadas. A partir desse dia o Jornal da Madeira foi ficando cada vez mais do Poder e do partido dominante, puxando para a sua subserviência os serviços paroquiais, as atividades diocesanas e o próprio bispo. Presentemente do Jornal da Madeira restam apenas 0,02% para a Diocese. Contudo isso vale o boletim dominical "Pedras Vivas", a agenda diocesana com seus noticiários, etc. Quer dizer: o borrão continua, embora o desastre já seja público. Todos sabemos que a Igreja Católica, desde os primórdios da Idade Média, sempre teve como regra base do seu exercício a obediência à autoridade eclesiástica. Mas nunca deixou de ter, como centro de mensagem produtora de vida, a Doutrina Evangélica e uma ética profunda, avaliadora do comportamento das pessoas. Lamento que a subserviência político-religiosa tenha transformado o povo desta Região Autónoma numa obediente e infantil creche, em que pessoas, padres e bispo vão puxados pela mão do chefe do poder regional. Eu e não só, contamos alguns padres e muitos leigos, há muito retiramos a mão desta subserviência infantil. E sinto grande alegria em ver outros colegas com esta liberdade de atuar em consciência. Este cartão de católico obediente e infantil de pouco servirá às pessoas, ao despedirem-se da vida terrena. Mas valer-lhes-á muito a correta e digna liberdade responsável, perante o olhar sorridente daquele Jesus, que respondeu a um guarda de Anás: "Se falei mal, diz-me em quê; se falei bem, porque me bates?" Jo. 18, 23. O mesmo senhor Jesus disse a Nicodemos: "Ninguém, se não nascer de novo, pode ver o reino de Deus". Jo. 3,3. E nascer de novo significa desenterrar-se destas trafulhices, oportunismos e interesses políticos instalados, que arrastam atrelada a Diocese.