Afirmámos desde o primeiro minuto que o Programa de Ajustamento Financeiro assinado pelo Governo Regional com o Estado, em Janeiro, não servia os interesses dos Madeirenses. Primeiro, porque impunha um conjunto de sacrifícios insuportáveis para as famílias e para as empresas, conduzindo a Região a mais recessão económica e a mais desemprego. A realidade e as estatísticas demonstram isso mesmo. Em segundo lugar, o Programa não resolvia o problema financeiro da Região, pois o empréstimo de mil e quinhentos milhões de euros não daria para pagar as dívidas comerciais e bancárias e para satisfazer as necessidades de financiamento nos próximos 4 anos, calculadas em 3,5 mil milhões de euros. A realidade e a asfixia financeira das finanças públicas dão-nos razão. O anuncio de que o Ministério das Finanças vai desbloquear, este mês, 168 milhões de euros para pagamento a fornecedores é positivo, mas é uma gota no oceano de dívidas do Governo Regional e do sector público, dando apenas para pagar as faturas deste ano. O resto, logo se vê, pois algumas dívidas serão renegociadas. Isto é, vamos continuar a ver empresas viáveis encerrarem e despedirem trabalhadores por causa das dívidas do Governo, ou com bens penhorados pelo fisco, devido a atrasos no pagamento de impostos, quando têm elevadas verbas a haver do Governo Regional e das câmaras municipais, o que é um escândalo. As estas situações, acresce as dificuldades de acesso ao crédito e a insensatez governamental de continuar a ignorar o turismo como setor estratégico da economia regional. Se é verdade que a Madeira tem um gravíssimo problema financeiro - com desequilíbrio orçamental e endividamento excessivo - para resolver nos próximos anos e que este Programa de Ajustamento não serve, é igualmente certo que só com uma aposta nos setores produtivos, que conduza ao crescimento económico e à consequente criação de emprego e de riqueza, é que se podem gerar receitas para fazer face aos compromissos financeiros da Região. É esta realidade que o Governo Regional do PSD teima em não perceber, para mal dos nossos pecados.
José Manuel Rodrigues