É muito difícil quando olhamos o mundo numa perspetiva de interajuda e valorização dos recursos, e observamos quantas pessoas estão ainda longe da possibilidade de olhar para além de si próprios e do seu pequeno mundo de interesses pessoais. Vivem envolvidas numa película egocêntrica que as prende num pequeno mundo, fechado e elitista, onde o saber é limitado e apenas circunscrito aos seus interesses pessoais. São vários os grupos que se fecham em casulos e optam por viver à parte, criticando tudo e todos com uma facilidade espantosa. Quem os ouve, fica perplexo face a uma mistura pouco ou nada consistente de sabedoria e valores. Falam dos outros como se os conhecessem profundamente, opinando sobre o seu caracter e opções de vida com uma ligeireza arrepiante. No seu estilo galopante e pomposo, esquecem que entre a realidade e a fantasia existe um mundo de suposições, que longe de poderem ser consideradas verdades, resultam da criação de quem as imagina. Para que este potencial criativo aconteça é preciso tempo e disponibilidade. Questiono o porquê desta necessidade e esforço, individual e coletivo. Para quê pensar sobre os outros, habitualmente numa crítica nada construtiva. Onde está o sentido comunitário das relações entre as pessoas? O que interessa o que pensamos ou imaginamos sobre aquilo que de todo se desconhece. Eu acredito que a coscuvilhice resulta de uma profunda ignorância, e de uma vida vazia e muito empobrecida. Estar vivo é uma oportunidade para olhar o mundo com interesse e vontade de participar. Participar de uma forma construtiva e dinâmica, sendo capaz de olhar para além do pequeno circulo, que de uma forma enganosa e matreira, pode dar a sensação de poder e controle sobre a vida de cada um e da dos outros. Acredito que esta é uma mera opinião que para muitos não fará o menor sentido, pois vivem de acordo com os seus padrões e não pretendem questionar nada. Sentem-se razoáveis no seu papel, e mesmo quando não se sentem, olhar para os outros dá uma sensação de alivio e ajuda a distrair. Não aceito a critica fácil, resultante do desconhecimento e da ignorância. Não tolero a falta de visão comunitária e de respeito pela liberdade de cada um. Não aprecio a hipocrisia nem o sorriso desonesto. Precisamos de pessoas verdadeiras, honestas, capazes de olhar para si e aceitar o que menos gostam. Pessoas que olham para fora com um sentido de interajuda, que acreditem que o mundo é muito mais interessante do que as novelas da vida dos outros. Como disse, cada um é livre de escolher a sua forma de vida, desde que a sua seja de facto o alvo do seu investimento e não apenas um recetor das vidas alheias. Há tanta gente a precisar da nossa ajuda e do nosso investimento pessoal e comunitário. Dou imenso valor a todos os que vivem para e com os outros. Viver assim não exige competências extraordinárias, basta apenas querer estar de uma forma diferente. Temos talvez de parar e escutar o que nos rodeia... A própria comunicação social também tem vindo a seguir uma linha novelística dos acontecimentos. Há tanto para dizer sobre a vida neste planeta, que é uma pena que não seja divulgado. A política, o futebol e as desgraças têm o seu lugar, mas há tanto mais a dizer e a mostrar. Haja vontade e coragem!

Manuela Parente