E. Abreu No passado dia 30 de Maio, o DN noticiou que o SESARAM tinha já distribuído os 25 milhões de euros recebidos para regularizar dívidas, tendo sido uma parte destinada ao pagamento de transportes de doentes. É, porém, lamentável que se tenham esquecido convenientemente de revelar a identidade exacta dos destinatários do dinheiro. Afinal, a quem pagaram esses transportes? Aos doentes transportados por táxi, certamente, não foi, visto que os motoristas de táxis estão há mais de um ano e meio para receber a quantia a que têm direito. Das duas, uma: ou foram completamente negligenciados ou se trata de uma tentativa falhada de simular a regularização de dívidas e fazer calar o povo, por parte da SESARAM. Contudo, a realidade revela que os bolsos continuam vazios; alguns doentes já faleceram e levaram consigo uma dívida por culpa da má gestão. Os governantes não têm consciência dos impostos acumulados, da segurança social, das rendas por pagar, do gasóleo, dos pneus por arranjar e de todos os outros estragos. É injusto, imoral, vergonhoso e indecente como é tratado aquele que trabalha. Por isso e muito bem, chegou à hora de dizer Basta, porque os nossos bolsos não têm de continuar vazios, porque outros encheram até abarrotar. Inclusive, os taxistas julgam que nem o SESARAM tem noção do valor avultado que deve aos doentes, porque não possui as respectivas facturas. Como é que se contabilizam valores, cujas facturas não são do conhecimento dos serviços? As dívidas ocultas são uma realidade inconveniente, mas o pagamento terá que ser regularizado, porque se esgotou a tolerância. Desta forma, apela-se à voz unida de todos os profissionais do ramo para um Basta final e, se necessário, um recurso ao tribunal, uma vez que nem Governo nem oposição se têm manifestado suficientemente sobre o assunto; não houve reuniões nem explicações e se as dívidas deles aumentaram, as nossas também, por consequência.