O DN da Madeira de 30 de Maio passado trazia em grande destaque na sua edição 'on-line' uma declaração do Secretário dos Assuntos Sociais, Francisco Ramos, afirmando que "o Governo Regional não cede a chantagens" para ilustrar o seu posicionamento relativamente à aplicação das taxas moderadoras a todos os serviços de saúde da Região. Poder-se-ia depreender que com tal assertividade o Governo Regional, de que o Secretário em questão faz parte, teria argumentos para contrariar uma orientação do governo da República em obediência a determinações da 'troika' que nos garante o pão para a vida ou, melhor dito, a sustentabilidade financeira do país. Será que a Madeira afinal tem meios para cobrir as suas dívidas mesmo as que foram sucessivamente proteladas para fugir ao controle apertado do quadro de endividamento regional e tudo isto não passa de uma 'inventona' de Lisboa? Mas então porque remete o mesmo Secretário para a solidariedade nacional "num apelo aos portugueses para que vejam como o Governo da República está a tratar a Madeira"(sic)? Como pode o dito Secretário 'ter lata' para pedir aos portugueses do Continente a sua solidariedade quando estes pagam as taxas moderadoras (quer concordem ou não) e ouvem a cada dia que passa nos órgãos de comunicação social os mais altos responsáveis do Governo Regional culpar Lisboa por tudo o que de mau acontece na Madeira, mesmo quando é indisfarçável a má aplicação de dinheiros públicos? Para esse peditório, os portugueses do Continente dirão que já contribuíram, e que o que está em causa agora são as opções e/ou decisões de governantes, nacionais ou regionais, que não agiram em função de critérios equilibrados de gestão pública (se fosse privada o problema seria idêntico mas aqui em prejuízo apenas dos seus accionistas) e não tiveram em conta a 'factura' que as gerações actuais e futuras terão de pagar, sem sequer terem sido consultadas. O mínimo que se pode dizer é que tais responsáveis andam a brincar com a coisa pública partindo do pressuposto que o Povo nada entende e tudo aceita daqueles que legitimados pelo voto se sentem livres para impor soluções que no seu entender são únicas e indiscutíveis. Será que neste caso o voto só consagra os medíocres que chegam a confundir solidariedade com a chantagem que eles próprios invocam e criticam? Até um dia…
Nuno Jardim Fernandes, Gestor