Sílvio Abreu Nem Peugeot, nem Citrôen. O carro do ano 2012 é o carro de bois, um clássico que vendeu muito no século passado, sobretudo nas zonas rurais. Com tracção animal, este descapotável todo-o-terreno vem de série com dois bois mas há versões mais potentes, com três. Este prémio surpreendeu os especialistas, que julgavam que o carro de bois tinha saído de produção. "E saiu, mas com esta crise provocada por um bando de 'parasitas' não tarda está tudo outra vez montado neles", explicou o sr. Alfredo, que tem um 'stand' de carros de bois usados. O aumento do preço dos combustíveis também terá contribuído para esta reviravolta no mundo automóvel. Há carros asiáticos mais baratos que uma festa do PSD ou uma ida ao Porto ou a Lisboa pela TAP. Estive esta tarde com um jovem casal que há um ano atrás tinha emprego e um Audi. Hoje trabalham nuns terrenos que os pais dela tinham lá para cima e deslocam-se num carro de bois. "O Audi era mais confortável e andava mais, é verdade, mas também estou satisfeito com o carro de bois, que gasta pouco e estaciona-se sozinho e não alimento os bolsos de certos parasitas... os bois encontram um lugar e deitam-se", explica o Manuel, que também está mais aliviado porque se livrou da ameaça do 'carjacking': "Eu com o Audi andava sempre com coração nas mãos, mas agora estou mais descansado porque a PSP não irá apanhar um carro de bois em excesso de velocidade".