Um dos sentimentos mais marcantes na sociedade contemporânea é, sem dúvida, o sentimento de desencanto e monotonia em relação ao futuro. Tornou-se inevitável que, ao longo de um processo de mais de 35 anos, estes sentimentos promotores do apagamento do indivíduo tornassem-se na face mais explícita de uma sociedade que perdeu a confiança em si e nas instituições que a regulamentam. O próprio processo de regulamentação e autoridade social tombam num vazio de sentido compreensível. É impossível que uma sociedade atualmente conceba um sentimento de confiança sobre o seu governo e as instituições politico-partidárias que o acompanham, quando estas, recaem em antagonismos e redundâncias que não estabelecem qualquer nexo entre Discurso Proferido - e - Acção Concretizada. O desconforto social perante esta situação é latente, mas na sociedade que nos rodeia, até o próprio espirito de luta e mudança cai num vácuo de pura apatia, criando a própria sociedade um fenómeno que a condena, o desvalorizar dos seus meios de Revolta: Greve, Sindicatos, Voto e Crítica. Apenas o extremo e o limite surgem como razão para o sentimento de interajuda e coletividade. Caímos no esquecimento que, estes valores, são bases primárias da nossa sociedade e não apenas meras práticas de filantropia. Há que relembrarmo-nos que não podemos cair numa patologia apática crónica, onde as normas de um individualismo vazio e categórico, degeneram o social. O caminho do homem é feito com a união do homem. O sentimento de coletivo e sociedade solidária e unida não é uma radicalização política, é apenas ter uma consciencialização humanista e lúcida da nossa condição.

Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa