Discutir a cultura, como se discutiu recentemente, veio mostrar quem é que na verdade está atento e se preocupa com o bem estar da sociedade madeirense. Coisas muito simples como cuidar do que é nosso, expor o que nos diferencia, preservar a paisagem, são afinal quase tudo. E este quase tudo pode ser feito com um simples aceno à sociedade para que participe. E quando acontece os turistas aparecem, participam e explodem de alegria. Foi o que se viu ainda agora na Festa da Cultura, no Funchal. É o que sempre tem acontecido na Festa da Flor, Festa do Vinho, Festival Colombo e outros . Esta interacção com os turistas, impõe-se. Impõe-se sobretudo se queremos que eles voltem. E precisamos que eles voltem, voltem e voltem sempre! Fossem os que pensam a decidir, há muito que as actividades culturais nesta terra beneficiariam de atenção adequada. Mas não! Desterram-se rios de dinheiro com os senhores da bola, enterram-se fortunas em infra-estruturas absurdas e nunca uma viva alma desportiva questionou esta calamidade porque, desde que o Sr Governo não falte com o pilim está tudo muito bem e obrigado e o resto que se lixe. Quantos turistas vão aos Barreiros ou á Choupana? Com a chegada da crise, mostram-se afoitos e revoltados. Afoitos e revoltados porque estão em causa as contratações milionárias dos reforços forasteiros. E mesmo quando num domingo á tarde nos Barreiros, afrontaram o Sr. Governo, fizeram-no em defesa do próprio umbigo e nunca em prol do bem estar da sociedade. Como explicou um sr. presidente e candidato á presidência, o desporto proporcionou o surgimento de um conjunto de pessoas bem formadas, vigorosas e disciplinadas. O regime agradece.
Eurico Martins, Director artístico da Orquestra de Bandolins da Madeira