Júlia Maia Culpa quem quiseres. Culpa Portugal ou o resto da Europa. Culpa os políticos. Culpa quem quiseres por ainda não te ter tido. Não sei se algum dia terei. Culpa quem quiseres por isto andar como anda. Filho, quiçá tenhas esse título num futuro incerto, se eu não tenho emprego, terás tu também? Também podes culpar-me por querer estar à altura da competitividade no mercado de trabalho. Quando respondo à pergunta: - Quer ter filhos? - Não, quero trabalhar primeiro. - Então isso é um talvez? - Um talvez é uma incerteza Podes culpar-me por querer decidir trabalhar em vez de amar. O amor enche o coração, mas ainda não enche a barriga e a minha, filho, está seca. Culpa aqueles que também mentem ao fazer política e, por isso, levaram uns não sei quantos a votar enganadamente. Como tu há umas tantas centenas à espera de nascer e dar seguimento à geração que, par e passo, decresce. Um beijo incerto e distante da tua 'talvez' mãe.