
É de esperar que alguém, com quase 40 anos, tenha um comportamento adulto, esteja perfeitamente desenvolvido ao nível da personalidade e tenha construído uma experiência de vida suficiente para enfrentar as adversidades. O mesmo é de exigir às instituições, sejam elas empresas, clubes ou partidos políticos. Com quase quatro décadas de vida, não se admitem infantilidades.
No entanto, há factores que impedem um crescimento normal. São conhecidos os casos dos filhos únicos que vivem até tarde em casa dos pais e não conseguem enfrentar rejeições, contratempos vários e, quando muito protegidos, não sabem o significado de um ‘não’. Qualquer psicólogo deve explicar isto em poucas palavras.
Com os partidos parece que é a mesma coisa. Há aqueles que cresceram, cometeram erros e tiveram sucessos e derrotas, ganharam experiência e convivem, com maior ou menor dificuldade, com confrontos, divisões e trocas de opiniões. E há os partidos ‘filho único’, mimados e ainda num estágio infantil do crescimento político e democrático.
O PSD-Madeira é um caso desses. Ao fim de 38 anos de vida e 37 de vitórias eleitorais, sempre com o mesmo líder e sem qualquer sinal interno de troca de opiniões divergentes, os social-democratas madeirenses não cresceram. Mantiveram-se numa infância política que tem consequências muito complicadas. Algumas dramáticas, outras caricatas.
Com quase 40 anos, a máquina do partido enfrenta, pela primeira vez, sinais de rejeição e divisões internas. Algo para o que não estava, claramente, preparada.
Até hoje, o PSD-M não soube o que é ter duas listas para as ‘directas’ e, por isso, ver duas pessoas sentadas numa mesa de voto a representar candidatos diferentes. Mais traumática é a possibilidade de ter alguém a enfrentar o líder-único, cenário que nunca foi explicado na formação ‘laranja’. Esse capítulo foi rasgado dos manuais.
Só assim se compreende a reacção disparatada a uma candidatura que, como as outras que se perfilham, tem toda a legitimidade. Só assim se entende os métodos infantis de ameaças, perseguições e birras. É nesse contexto que encaixam, por exemplo (um de muitos), as fotografias, mandadas tirar a funcionários servis, para ver a cara dos ‘meninos’ que foram à festa de anos do rebelde da turma. Mais caricato era difícil.
As instituições crescem à imagem dos seus dirigentes e o PSD-Madeira não podia ser mais filho de quem é.