Um dia destes vinha de carro para o Funchal e, por acaso ouvi o relato de uma Sessão Plenária da Assembleia Legislativa da Madeira e mais uma vez fiquei super envergonhado com o que ouvi. Após uma sessão de insultos da maioria para a minoria, a sessão foi interrompida porque o seu Presidente, mais uma vez não foi imparcial, nem conseguiu impor-se para manter a ordem e o respeito no plenário…. Como não estivessem ficado satisfeitos, nos chamados " passos perdidos", quase que havia uma cena de pancadaria entre o líder da situação contra um deputado da oposição, que só não chegou a vias de facto porque duas deputadas se interpuseram entre os referidos guerrilheiros…..Que vergonha, meu Deus….mais uma vez a ALM deu ao mundo mais um espectáculo triste, que envergonha todos os madeirenses e portugueses, como se não bastasse o que foi feito pelo governo regional, escondendo contas de muitos milhões de euros…..Infelizmente por razões muito más, a Madeira tem andado nas bocas do mundo, o que fez diminuir a vinda de cidadãos portugueses à Madeira em mais de dez por cento. Madeirenses, é de mais, isto já ultrapassa todos os limites do razoável! A Assembleia Legislativa da Madeira iniciou a sua actividade no fim de Julho de 1976, no antigo Salão Nobre, no edifício da antiga Junta Geral, na Avenida João Gonçalves Zarco em frente aos correios, tendo como seu primeiro Presidente o Dr. Emanuel Rodrigues e Secretários o deputado António Gil, pelo PSD e o deputado Filipe Mota pelo Partido Socialista. Eu ainda passei por lá, como representante do PS, até que a mesa foi eleita. Nesse começo em que ninguém tinha experiencia de parlamentar, todos respeitávamos e eramos respeitados pelo Presidente da mesa. Tudo corria dentro da ordem e do respeito, embora já lá estivesses representados quatro partidos: PSD, PS, UDP e CDS. Todos os deputados se respeitavam, apesar de um ou outro incidente, nomeadamente a agressão ao deputado, na altura pela UDP, José Martins Junior, que cujo agressor se acobardou e não assumiu o seu acto. Tirando essa cena, não me recordo que Emanuel Rodrigues tivesse que chamar a atenção dos deputados uma vez que fosse. Divergências politicas, sim, muitas, o que era absolutamente natural, pois estavamos no campo ideológico desde a direita á extrema esquerda….As ideologias estavam bem definidas, não como agora em que não se consegue aperceber a ideologia de alguns partidos representados no ALM. Na 2ª legislatura, manteve-se a mesa e no plenário surgiu a representação do Partido Comunista. Tudo correu muito bem, Emanuel Rodrigues, como já dissemos, continuou a presidir, sem necessidade de mostrar á população que o primeiro órgão da Autonomia tinha a dignidade que merecia…Dirigiu tão bem os trabalhos, com independência, tratando todos por igual, que já nem candidato a deputado foi, para a 3ª legislatura, tendo sido substituído pelo deputado Dr. Nélio Mendonça. Começaram as desavenças e os deputados da oposição deixaram de ser tratados como sempre o tinham sido, ou seja do mesmo modo que todos os outros. Houve algumas cenas desagradáveis, nomeadamente o celebre caso das pratas que se evaporaram, quando foi a mudança de local, do Salão Nobre para as actuais instalações. Começaram as ofensas pessoais e a ser utilizada pela primeira vez a defesa da honra, o que significa que surgiram as ofensas por parte da maioria. Os dois mandatos com a presidência de Nélio Mendonça, mudaram completamente o "estilo" negativo, da nossa Assembleia, até que em 2000 entrou o Dr. José Miguel Mendonça, para a Presidência que já neste primeiro mandato começaram as "escaramuças" pelo actual líder da bancada do PSD, que iniciou a sua campanha ofensiva contra todos e dominando completamente a mesa da Assembleia. Mesmo assim ainda foi sofrível, mas a partir de 2004 tem sido o permanente declinar do que deveria ser o PRIMEIRO ORGÃO da nossa Autonomia. A imagem transmitida para o exterior daquele parlamento é indigna, fazendo lembrar outros parlamentos do chamado 3º mundo….A dependência da mesa aumentou rapidamente, utilizando dualidade de critérios consoante a cor politica. Verdade se diga que estas actuações deram origem ao aparecimento de alguns deputados indignos desse nome, mas que a tal dependência, ou medo, da mesa da Assembleia à maioria, ainda fez sobressair mais a péssima imagem para o exterior. É uma vergonha para a Região o que lá se passa e aproveito para perguntar ao meu amigo José Miguel Mendonça, o que faz ali, porque não se reforma, dando lugar a outro, que certamente ainda será pior enquanto se mantiver a actual maioria….Penso que posso fazer essa sugestão, porque fui eu que o convidei a ser deputado pelo PS em 1976, ou seja talvez possa ser o responsável pela sua entrada na política. Como deputado que fui e que a minha consciência me diz que cumpri o meu dever para o que fui eleito, sinto vergonha, pelo que se passa num local, que deveria ser o mais DIGNO da minha querida Madeira..
Duarte Caldeira Ferreira