Que a confiança é algo difícil de se ganhar e muito fácil de se perder é uma lição que todos aprendemos muito cedo na vida. Aplica-se tanto na nossa vida pessoal como no funcionamento da economia. Na Zona Euro, a confiança dos consumidores desceu pela primeira vez em 2012, depois de 3 meses consecutivos a subir. Os analistas estavam preparados para uma melhoria deste indicador, mas a subida das taxas de desemprego para valores recorde em vários países da zona euro assim como a quebra na economia inverteram as expectativas. Por cá, o Boletim Mensal da Economia Portuguesa de Abril informa-nos que no 1º trimestre de 2012, o indicador de clima económico divulgado pelo INE voltou a agravar-se tendo registado o valor mais baixo desde 2005. A economia europeia não está a apresentar sinais de melhoria, numa altura em que os cortes nos gastos em toda a Europa estão a deteriorar a contratação de trabalhadores e a confiança dos consumidores. Muitos países não estão a conseguir cumprir com os seus objectivos orçamentais e têm as suas economias em profunda recessão. Esta é uma conjugação de factores que não augura nada de bom para o futuro. Os investidores continuam preocupados e não investem, o que faz com que não se crie valor acrescentado e, consequentemente, novos postos de trabalho. Assim, muitas famílias vivem já o flagelo do desemprego e as que não o vivem sentem os seus postos de trabalho ameaçados. As empresas sentem cada vez maiores dificuldades em garantir a sua subsistência e o consumidor final trava uma difícil batalha, por um lado vê o seu rendimento disponível diminuir e por outro, vê os bens necessários para fazer face às necessidades do quotidiano aumentarem. Perante este cenário, não é de estranhar que se esteja a assistir a uma grande quebra na confiança, não só dos consumidores que são quem está no fim da linha das transacções económicas, mas também de todos os agentes que se encontram a montante.

Pedro Nunes, Economista