Quase mil milhões de pessoas viajam pelo mundo em turismo de diverso tipo. A Europa representa metade deste volume de viajantes. Serão quase dois mil milhões dentro de duas a três décadas. Quer a Madeira estar presente activamente nesta dinâmica turística? Quer tirar proveito, aproveitar as suas potencialidades, gerar riqueza e empregos para os seus cidadãos? Os madeirenses e porto-santenses querem-no certamente. A actual maioria política governativa não é seguro que queira e possa! Digo isto a propósito da Conferência Anual da Ordem dos Economistas que neste fim de semana reuniu oradores e moderadores de alto nível para debater Turismo e Cultura. Três painéis trataram de aspectos centrais da temática: elogio da diferenciação, identidade cultural na oferta turística e o evento cultural como produto turístico. Pois o Governo Regional não compareceu. Não se compreende! Não há razões que possam explicar tal ausência de um fórum tão alargado (mais de 800 pessoas) e tão qualificado que marca anualmente o panorama nacional de reflexão sobre turismo. Se o Governo tivesse estado presente teria percebido as dinâmicas que marcam o turismo, a importância chave da cultura, a importância de ser diferente, as razões para cuidar do território e para atrair melhores turistas. Teria percebido porque é que todo o investimento carece de uma análise social de custo/benefício. Teria ficado corado de vergonha ao ver referida e projectada em fotografias a hotelaria antiga da Madeira, a paisagem imaculada da ilha, os caminhos regionais genuínos, as quintas, as latadas, os poios… E escondia-se debaixo da cadeira quando se falasse do "pesadelo da actualidade" em que transformaram a Madeira. Perceberiam então porque é que os preços da hotelaria madeirense estão em queda acentuada e porque é que o desemprego atinge o sector. Porque é que fazer de zonas da Madeira uma gigantesca Quarteira ou pequenas praias do inglês tem impactos negativos muito sérios e sacrifica seriamente o nosso futuro colectivo. Não esteve presente. Perdeu e deu um sinal que não valoriza o conhecimento, a reflexão, o debate aberto. Que foge do pensamento de gente qualificada, competente e séria. Mas a sociedade madeirense ainda respira de vez em quando. Ainda é possível ouvir economistas, arquitectos, gentes da cultura a discutir desassombradamente os nosso problemas e o nosso futuro. A acrescentar valor ao pensamento sobre a nossa vida colectiva. É esta sociedade que importa libertar. É esta criatividade que importa trazer ao de cima. Deixarmos para trás um ciclo de governação tutelada e musculada. De uma governação que tudo controla. Abrir o futuro com ambição, com desígnios, com coragem. A palavra aos quadros, aos profissionais, às instituições da sociedade civil.

Maximiano Martins, Deputado do PS-M