Aproxima-se a época de calor e o cheiro a areia e a mar já paira no ar. Aproxima-se, também, o grande evento desportivo do ano, o Europeu de Futebol, onde diversas selecções tentarão conquistar o troféu que actualmente pertence à Espanha. A nossa selecção terá uma tarefa difícil. Aos tugas exige-se que, logo no primeiro jogo, vinguem o país e todos os portugueses fazendo com que os alemães se rendam aos nossos desejos e supremacia. Longe vão os tempos em que nos meses de calor as actividades desportivas com bola não eram permitidas por serem 'pouco higiénicas'. Mas este boicote não abrangia, claro, as actividades culturais desenvolvidas pelos clubes desportivos, nomeadamente as Feiras e as Quermesses organizadas pelo Nacional e pelo Marítimo. Durante os meses de Verão o público madeirense poderia ter contacto com artistas da televisão, da rádio e do teatro. Pelos palcos passavam Simone de Oliveira, Madalena Iglesias, o Conjunto Académico João Paulo, António Calvário, Paula Ribas, Elsa Vilar, Raúl Solnado, Badaró, Maria de Lourdes Resende, Duo Ouro Negro, Max, Anita Guerreiros e muitos outros. Tendo por cenário lugares aprazíveis da cidade, às apresentações musicais e teatrais juntavam-se bazares, exposições, casas de chá e demais distracções. As Feiras e as Quermesses tornaram-se um oásis no deserto da cultura da Madeira. O êxito de um evento reclamava um outro no ano seguinte. Mas, apesar da forte procura, não haveria na Madeira público suficiente para que ambos os eventos coexistissem com a qualidade habitual pelo que, em 1964, deixam de existir. De volta a 2012, época em que o futebol mobiliza indivíduos, grupos, sociedades e países, promove múltiplas actividades e ocupa um espaço nos media que chega a conduzir a verdadeiras guerras de audiência, espero que 'A Portuguesa' soe mais alto do que qualquer outro hino.
Andreia Nascimento, Directora de Comunicação