Num exercício rápido de memória, consigo enumerar quatro situações que deram nas vistas nas últimas semanas e que nos conduzem a uma quinta, dentro de dias. Todas com a mesma dose de covardia política. Primeiro foi a ausência – estranha ausência – na Conferência Anual sobre o Turismo: o presidente começou por alegar qualquer coisa em Bruxelas, que não se confirmou sabe-se lá porquê, depois mandatou a secretária do Turismo, que seguindo o exemplo que vinha de cima, baldou-se cinco dias antes para as compras em Londres, aproveitando um pretexto oficial. E assim se esquivou o nosso governo à discussão em torno da mais importante actividade económica da Madeira, perante 800 participantes interessados e preocupados. Seguiu-se a atabalhoada ausência do presidente a uma iniciativa do Marítimo, nos Barreiros, com fins de solidariedade e para celebrar a brilhante época do principal clube madeirense. Que ele diz ser o seu clube, embora ninguém consiga confirmar se tem as quotas em dia. Como se todos estivéssemos no mesmo patamar de senilidade, alegou um compromisso com o golfe, que por acaso até era noutro dia. Não veio mal nenhum ao mundo, nem a festa verde-rubra ficou diminuída, talvez bem pelo contrário. Passaram-se mais uns dias e o mais corajoso dos políticos madeirenses, do alto de um palco onde se sentiu protegido, encheu o peito e enfrentou um popular que não estava a gostar do aproveitamento ilícito que estavam a fazer da Festa da Cebola. “Está ali um cachorro a ladrar, mas não lhe liguem”, ordenou Jardim, na sua já proverbial boa educação. Jardim não aproveitou o palco da Festa da Cebola, nem as intromissões nos adros das igrejas no sábado e no domingo, para se referir ao que aprovara sorrateiramente na quinta-feira anterior, no Conselho de Governo que ainda preside: as taxas moderadoras para quem vai às Urgências do hospital. Deve ter-se lembrado de todas as vezes em que negou essa fatalidade! O mesmo deve ter-se passado na terça-feira, dia em que o JORAM anunciou o que cobardemente o governo escondeu. Na Feira do Livro, o presidente falou de tudo, menos do que aflige as pessoas e das suas responsabilidades. À sua volta, um indisfarçável contingente de forças de segurança, porque o presidente já está como Hugo Chávez: insiste que o Povo é a sua razão de ser, mas tem medo das suas reacções, porque sabe o que lhe anda a fazer! Por isso é que o presidente venezuelano dorme todos os dias num sítio diferente e desconfia das suas próprias forças de segurança, ao ponto de recrutar a sua guarda pessoal noutro país. Perante todos estes indícios, adivinhem quem vai ‘fugir’ à discussão da Moção de Censura ao Governo Regional na próxima terça-feira, no Parlamento madeirense? O problema é que talvez não seja suficiente fugir às suas responsabilidades, relegando as explicações da sua governação para o dr. Ventura Garcês. Ou o dr. Jaime Freitas, sabe-se lá! Convém mesmo convocar a sua ‘segurança pessoal’ para garantir que nenhum dos deputados do PSD aprova a Moção de Censura! Não são precisos muitos, bastam dois ou três...