Por não possuir as ferramentas necessárias para debater com o técnico e o político, o cidadão comum fica alheado do processo de construção da Cidade em que vive, com todas as consequências nefastas que este afastamento provoca. Alguns problemas de saúde têm origem na poluição e falta de espaços verdes; alguns dos problemas de marginalidade e delinquência têm origem na forma árida e desumana como são projectadas determinadas das nossas Cidades; alguns problemas na educação têm origem na forma como as distâncias entre os locais de trabalho dos pais e os locais de ensino dos filhos se encontram cada vez mais afastados. Se cada cidadão se tornasse um agente mais atento, activo e crítico, muitos dos problemas urbanísticos que hoje em dia sobrecarregam os tribunais e a política talvez nunca tivesse chegado a acontecer e a justiça teria mais tempo para tratar de outros assuntos mais importantes para o interesse nacional. No passado corrente tivemos enxurradas e desabamentos em Fevereiro e incêndios no Verão com prejuízos ainda por calcular. Há que ter em atenção , o Mapa de Riscos e a Carta do Património. Não pode a revisão do PDM ser feita no segredo dos gabinetes, e a discussão pública um aspecto formal. É necessário que a revisão seja alargada a urbanistas, arquitectos, engenheiros, professores, sociólogos…e gente da cultura. Defende-se que a CM vá discutir com a população as situações previstas para cada freguesia. Terá de ser encontrada solução para quem vive nas zonas altas, em casas ilegais à luz do RCEU. As acessibilidades , a prioridade ao transporte público, as zonas verdes e protecção das quintas da nossa Cidade tem de ser zona consensual entre as forças políticas. O futuro PDM, deverá ser o reencontro da Camara Municipal com o povo da nossa cidade.

Dírio Ramos, Vereador do PCP na CMF