L. A. Novas dinâmicas têm surgido no sentido de responder a este tempo de crise. Dois projectos, um em Coimbra e outro no Porto, partilham uma nova visão comercial que visa a cooperação entre os envolvidos. Trata-se do conceito de Loja Colaborativa, ou seja, uma loja composta por espaços e nichos diversificados (cubos, prateleiras, outros expositores, etc) que funcionam como mini-lojas no seu interior. Estes espaços são alugados a diferentes criativos (desde artesãos, decoradores, designers, artistas e estilistas) que encontram, assim, uma forma acessível de vender, mostrar e promover as suas criações, em condições diversas das lojas tradicionais. É um conceito diferente que proporciona ganhos não só ao empresário que arrenda os espaços, mas também aos autores que ficam a dispor da sua mini-loja, a preços muito mais favoráveis… O cliente também fica a ganhar, visto que o preço proposto para os artigos se torna, naturalmente, mais atraente. A loja tem a responsabilidade de gestão e divulgação, enquanto o autor tem a possibilidade de decorar, e arrumar, o espaço arrendado, ao seu gosto. Os resultados conseguidos estão directamente ligados ao comportamento dos consumidores. Se um autor não conseguir vendas, durante um determinado período de tempo, que garantam, no mínimo, o valor do pagamento do seu espaço, deverá dar lugar a um outro autor. Isso permite uma renovação contínua no interior da loja, bem como uma selecção dos artigos mais vendáveis. Mas é possível a um autor voltar, outra vez, a vender na loja, caso existam espaços disponíveis para testar outros seus produtos ou criações. É uma fórmula que pode funcionar, desde que a loja esteja bem localizada e que a gama dos produtos propostos seja apelativa. E o mais interessante é o aspecto colaborativo da acção. A cooperação pode ser lucrativa e estimulante. Exige responsabilidade, empenho, trabalho e criatividade. E tudo isso são valores que possibilitam ultrapassar as crises e as dificuldades. A Loja Colaborativa é uma boa ideia que me pareceu oportuno divulgar.