As raparigas do Académico, perdão, do Madeira Andebol SAD (?), conquistaram o título de campeãs nacionais, no último fim-de-semana. Mais um de muitos, o 12º, a que se juntam muitos outros títulos do Académico, do Sports Madeira e até do Infante, mas que terá, para a equipa de Duarte Freitas, um sabor especial. Um sabor agridoce em que se misturam a alegria da vitória e todos os problemas de uma época em que faltou tudo, desde logo o cumprimento das obrigações do Governo Regional.

Uma época em que muitas modalidades, sobretudo aquelas que mais títulos deram à Região, como o andebol e o basquete, passaram por situações impensáveis há bem pouco tempo. Faltas de comparência, desistências, jogos em que a falta de jogadores leva uma guarda-redes a jogar a pivot... de tudo um pouco. Mas também uma época em que alguns clubes mostraram que ainda têm espírito solidário e amor à camisola. Só assim se compreendem alguns sacrifícios pessoais.

Perante tudo isto, o Governo, o ‘senhor Governo’ dos clubes únicos, das SAD que passaram por cima de clubes históricos, não cumpriu a sua parte e nem se mostrou preocupado com isso. A solução foi transformar aquilo que já tinha sido a grande aposta para os jovens madeirenses fugirem da droga, para levar o nome da Madeira a todo o lado e permitir inaugurações e festas, em algo dispensável. Que se deita fora.

A crise é real, dura, faz vítimas e é obrigatório cortar nas despesas, mas a incompetência e a irresponsabilidade também contribuíram para muita tragédia.

No meio de tudo isto, as raparigas do Académico e do Sports Madeira - sim, porque o sócio ‘Madeira’ destruiu a SAD - ganharam. Merecem todos os elogios, só não merecem que lhes peçam para ir mostrar o troféu à Quinta Vigia. Era o cúmulo da hipocrisia.