Desde a sua existência o ser humano é sujeito a um envolvimento estimulante e crítico capaz de lhe colocar uma enorme diversidade de problemas, às quais tem de responder e ultrapassar. Estas agressões a que o indivíduo é sujeito irão transformá-lo e levá-lo a constantes adaptações, tal como se passa na alta competição desportiva, mas não só. Dentro desta concepção de alta competição, é possível verificar outras dimensões como alta competição social, a alta competição na escola, a alta competição no mercado de trabalho, entre outros, quase que é possível dizer que o Homem vive em alta competição. A alta competição não passa só pelo atleta que treina diariamente e intensivamente para saltar o mais longe possível ou pelo nadador que passa horas dentro da piscina para, por vezes, conseguir baixar menos de um segundo no seu tempo de prova. A alta competição passa também pelo indivíduo que diariamente tenta solucionar e gerir a sobrevivência de um ceio familiar, ou seja, que trabalha e que gere os seus recursos de forma extremamente limitada para garantir a sobrevivência dos seus. O aluno que estuda intensivamente para ser o melhor, para construir a melhor média, está em alta competição. O doente que está na cama do hospital está em alta competição. O fenómeno desportivo é um meio de alta competição mais controlado, em que o ser humano tem a possibilidade de desenvolver capacidades e competências como a adaptação, a autonomia, a criatividade e melhor se preparar para outros níveis da alta competição não só de carácter desportivo, mas também social e outras dimensões da mesma. Neste ideal, é claramente perceptível que a actividade desportiva tem um lugar na formação do Homem e da sociedade.
Derek Freitas, Colaborador da AAUMa