Autonomia é um meio e não um fim em si mesmo. Ela resulta da vontade ancestral do povo, de uma vontade libertadora, de um desejo de afirmação de uma identidade. Esta ideia radica numa outra, ainda maior, assente na luta milenar pelos direitos de cidadania e pela dignidade do ser humano. A Autonomia Constitucional, em si mesma, é um conceito bom, o mal está na utilização que fazem dela. A Autonomia não pode ser instrumento para limitar a Liberdade e a Democracia, para alimentar os interesses particulares dos que se sentam à roda da mesa do Orçamento, para fazer negócios obscenos que furtam os dinheiros públicos, para alimentar o mesquinho jogo eleitoralista dos que olham para o poder, não com espírito comunitário, mas com outros objetivos que não os do bem comum. Esta é uma autonomia corrompida: a autonomia do descrédito, da falência, do desemprego, da destruição dos setores produtivos e do trabalho. Estamos perante um conceito que exige sentido de responsabilidade, particularmente dos decisores da coisa pública, dos executivos que gerem os recursos dos cidadãos. Com base no projeto da União, assente nos princípios da coesão e da subsidiariedade, existe uma lógica do aperfeiçoamento democrático, na busca da aproximação dos centros de decisão aos cidadãos. Mas, sem fiscalização, tudo pode ser pervertido. Há muito tempo que tenho alertado para as fragilidades desta governação que deu resultados, aparentemente bons, no tempo dos rios de dinheiro do Estado, da União e do endividamento. Ora, verifica-se que nem tudo o que "luz é ouro" e o crescimento não se traduziu num desenvolvimento sustentável e numa melhor Democracia.
Jacinto Serrão, Deputado do PS na AR