OSITAVA é o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, e por estes dias, os seus responsáveis têm manifestado enorme satisfação pelos resultados da greve de 18 de Maio, que abrangeu todos os estabelecimentos da NAV Portugal, Ana Aeroportos, ANAM, TAP e Sata, entre outros. O regozijo advém da adesão significativa a este protesto contra o "incumprimento dos acordos colectivos de trabalho". Além disso, o sindicato está "muito preocupado com a possibilidade de o sector definhar" se for privatizado. Aparentemente, não revela especial preocupação com a possibilidade do sector definhar em consequência das repetidas e continuadas greves… Como é habitual nestas ocasiões, fizeram o especial favor de assegurar 1 (UMA) ligação Funchal/Lisboa. Os madeirenses voltaram a ficar profundamente gratos pelo respeito e consideração que o Grupo TAP e os seus empenhados trabalhadores desde sempre lhes manifestaram. Mas esta é apenas uma das várias paralisações a registar: a greve dos controladores de tráfego aéreo abrange cinco dias de Maio (11, 17, 18, 24 e 25), com o requinte de ser escalonada (entre as 07:00 e as 09:00, as 14:00 e as 16:00 e as 21:00 e as 23:00). Esta brincadeira obriga a cancelar, antecipar ou adiar centenas de voos, a transferir passageiros e a prestar-lhes assistência. Até final da greve, é previsível que cerca de 1.300 voos sejam afectados, com um perda estimada de dois milhões de euros diários para a transportadora aérea nacional. Ou seja, quando terminar a luta, no dia 25 de Maio, os valorosos sindicalistas poderão proclamar, ufanos, que o Grupo TAP atingiu perdas totais de €13.500.000.00 (treze milhões e quinhentos mil Euros),como corolário das greves levadas a cabo desde o início de 2012. É esse o preço a pagar por este protesto contra os arautos da austeridade" que estão a "encaminhar o País para uma recessão profunda", a "aumentar a nossa dependência e a destruir a democracia". Considerando que este Grupo encerrou 2011 com prejuízos de €76,8 Milhões, não restam dúvidas de que trabalhadores e sindicatos escolheram o melhor caminho, estando a contribuir decisivamente para o esforço colectivo dos portugueses em prol da economia pátria. Graças a este notável empenho e espírito de sacrifício, os capitalistas neoliberais que nos governam em nome da Troika devem estar cada vez mais convencidos que a privatização é mesmo a melhor opção. Obrigado, camarada Arménio Carlos. Pena que a ironia do destino o tenha deixado com "o rabo em terra", impedindo-o assim de vir à "Pérola do Atlântico" apregoar as virtudes da cartilha comunista. Para quem vive no Arquipélago da Madeira, dependente das ligações aéreas e ainda para mais tendo o turismo como factor fundamental para a sobrevivência, cada greve duma das empresas que constitui o universo TAP é um rude golpe. Acresce ainda a maquiavélica convocação "cirúrgica" destas jornadas de protesto, sempre em períodos que coincidem com o maior afluxo de turistas. Recordo a greve anunciada para o passado mês de Dezembro e início de Janeiro. O facto de ter sido cancelada à última hora, como se estivesse a ser feito um grande favor ao País, não impediu que milhares de pessoas alterassem os seus planos de férias e que muitos Operadores Turísticos riscassem o destino Madeira da sua lista de preferências. A ocupação hoteleira da região nesse período de época alta registou valores anormalmente baixos muito por obra e graça das "birras" dos senhores pilotos, que resolveram contestar, entre outras coisas, o investimento da TAP no negócio da engenharia e manutenção no Brasil. Por este andar, e sabendo-se que a luta continua, espero que dentro de algum tempo, quando um dos partidos da oposição regional na ALR propuser um voto de pesar pela morte da Madeira enquanto destino turístico, o deputado Jaime Ramos não instrua a sua bancada para debandar em peso e assobiar para o lado. Pensando bem, não seria de todo surpreendente, pela forma como têm andado a voar baixinho e a fazer greve aos princípios básicos da democracia…
Raul Ribeiro