Numa altura em que se bate, sucessivamente, o recorde de desempregados em Portugal, não posso deixar de pensar na situação em que se encontram todos aqueles que pretendem trabalhar e que não encontram onde o fazer. Alguns ainda têm direito ao subsídio de desemprego, outros nunca o tiveram ou já chegaram ao fim do período de atribuição, mas todos eles olham com apreensão ou mesmo desespero para o dia de amanhã, o qual não lhes parece que vá ser menos cinzento que o dia de hoje. Perante esta adversidade acredito que seja fácil desesperar e deixar de acreditar no próprio, para mais quando socialmente a culpa por essa circunstância é transferida para a pessoa desempregada, esquecendo que estamos num ciclo económico altamente recessivo e que não estão ser criados postos de trabalho. Este julgamento social altamente prejudicial ignora que o desemprego é uma das fases da vida de uma pessoa que mais diminuição traz à sua felicidade e que maior sequela deixa mesmo após ela ter encontrado um novo emprego, isto sem falar para os problemas que traz para todo o agregado familiar. Numa situação de desemprego, que pode acontecer a qualquer indivíduo no activo, o fundamental é reagir, tentar manter ou melhorar competências, exigir continuar a ser tratado como pessoa que é e não ter vergonha de bater à porta de quem possa ajudar. Nós que mantemos os empregos não devemos esquecer que o desemprego não é somente um problema de alguns mas sim de toda sociedade que se diz civilizada e que tem de coletivamente contribuir para a solução deste flagelo social.
Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira