Actualmente, discutir o investimento na cultura é, para muitos, um absurdo. Mas a verdade é que a cultura é uma ponte para a promoção da cidadania. A sociedade portuguesa, mesmo a fracção que tem hábitos culturais, é, em regra, pouco culta. Mesmo que leia livros, veja filmes, vá ao teatro ou a concertos, há que perceber que a cultura pode, e deve, ser um elemento estruturante da vida de um país. Existem outras necessidades mais prioritárias? Podem existir, mas isso não retira a culpa aos que negam, à economia da cultura, a importância que de facto esta possui. Não basta realizar eventos culturais, é preciso criar políticas culturais sustentáveis, políticas essas que, porventura, levariam a uma diminuição da emigração de jovens artistas, cientistas ou autores como até agora tem acontecido. Pois neste momento, Portugal precisa mais do talento, empreendedorismo e criatividade do que da política de betão que no século XX dominou o país, e que demonstrou que não existe progresso material sustentável se não houver progresso educacional. Quanto à actual questão da falta de financiamento das associações culturais, os fundos governamentais parecem ser uma miragem. O mercado privado deverá ser a aposta, havendo inúmeros motivos para uma empresa associar-se a uma associação. A importância social que este vínculo carrega, a diferenciação que gera diante de outros concorrentes e a agregação de valores positivos à marca são razões, mais do que suficientes, para esta coligação win-win. Esperemos que seja esse o caminho adoptado pelos dirigentes pois, não investir na cultura é agravar a crise.

Vítor Andrade, Colaborador da AAUMa