Terminou a época desportiva. Mais ou menos satisfeitos, projectamos sonhos e melhores resultados para a próxima. No intervalo vem o Euro, a única competição em que estaremos todos de acordo sobre o desempenho dos árbitros. Se Portugal não ganhar, mais de acordo ainda, e em uníssimo sem desafinar gitaremos "a culpa foi do árbitro". E aqui que ninguém nos ouve, este vosso humilde escriba possuido e ferido de um orgulho nacional, também tem defeitos e embora timidamente, também entrará na onda. Atentemos ás meias finais de Champions League. Barcelona/Chelsea. Leonel Messi falhou um penalty que lhe daria presença na final de Munique. O Barcelona perdeu milhões. O Messi deixou de ser candidato a melhor jogador do mundo? Real Madrid/Bayern. Cristiano Ronaldo falha uma grande penalidade, contribuindo para a ausência na final da mais importante competição Mundial. O clube perdeu milhões. O Cristiano Ronaldo deixou de ser candidato a melhor jogador do Mundo? Não vi alguem diminuir as suas capacidades pelas falhas de consequências graves: "acontece aos melhores" "queria acertar" "só falha quem está lá dentro" "ninguém estás mais chateado do que eles". E sabem? Eu concordo convosco, mas manda a coerência e a honestidade mental que tenhamos essa tolerência com todos os agentes desportivos. E com os árbitros não tem existido. No domingo passado percebi porque é que gosto de futebol. A pátria que viu nascer a modalidade rainha, mereceu o desfecho electrizante do campeonato Inglês. Eu, que nada tenho a ver com os futebóis daquelas bandas, fiquei com pele de galinha,arrepiante e, durante aqueles 2 minutos queria ser adepto do "City". Dei por mim a imaginar uma situação idêntica em Portugal. Em 2 minutos uma equipa consegue virar um campeonato, nas mesmas condições de Manchester. Os adeptos e comentadores aceitariam? Claro que não, dirá o leitor e eu concordo. Logo teorias conspirativas colocando em causa a verdade desportiva seriam desenvolvidas e processos de intenção a jogadores, treinadores,dirigentes, árbitros, exigindo inquéritos ao ocorrido. Tinhamos conversa.. É a diferença que separa os Grandes dos pequenos. Dentro do campo até somos melhores.. mas fora... somos como aquela "coisa" á beira do Mondego, em Coimbra. "Portugal dos pequeninos".
Francisco Costa, Observador da Liga