Segunda-feira passada, na reunião da Comissão Política do principal partido da Região, um dos seus membros - por acaso uma mulher - manteve a coluna direita quando intimidada. Explicou ao líder, assim como se ensina aos meninos em casa ou na escola, as regras básicas de convivência numa sociedade com diferenças de opinião e liberdade de opções. Privilégios que não são propriedade exclusiva de ninguém. Dois dias depois, na quarta-feira, no parlamento madeirense, a propósito de uma iniciativa em discussão, metade da bancada social-democrata agiu de forma diferente daquilo que pretendiam impor as cúpulas, segundo os métodos habituais. Já na sexta-feira, na Câmara Municipal da Ribeira Brava, o presidente recebeu uma comitiva socialista liderada pelo seu responsável regional. Por causa disso, nem o autarca nem a autarquia foram contagiados por qualquer doença rara, nem nenhuma das partes deixou de ter as suas convicções próprias. A simples apresentação destes três exemplos parecerá anedótica a alguém que não conheça o 'modus operandi' da política madeirense, nas últimas três décadas. E é mesmo anedótica, à luz de qualquer raciocínio defensável. Apesar do caricato , estas três simples atitudes, protagonizadas por pessoas responsáveis com quem nos cruzamos regularmente neste pequeno cantinho do mundo, representam algo de muito importante para a Madeira. Algo está a mudar. Felizmente. É derrubando pequenas barreiras, como as três desta semana, que se vislumbrará a 'luz ao fundo do túnel'. Cada vez mais, este género de barreiras terá de ser enfrentado por cada um, individualmente ou em grupo, em todos os níveis na administração pública, no partido, na autarquia, na casa do povo, etc.. Chega de ficar sempre à espera que desça à terra algum sobrenatural, porque o que é preciso ser feito é coisa mais natural do mundo: renovação, novas escolhas, libertação de medos e de receios, que só tomaram estas proporções porque houve consentimento infantil e irresponsável. O primeiro passo a dar é abolir essa tese gasta de que "depois de mim será o caos". Alguém teme um caos maior do que este? A população madeirense já agradeceu, vezes sem conta, tudo o que de bom foi feito. Concentremo-nos agora nas diferentes alternativas e no que é preciso mudar. E nesse aspecto, alguns dos figurões que andaram sempre agachados, nas últimas décadas, poderiam seguir os três exemplos aqui evocados e darem, também eles, o seu contributo. Ou então desamparem a loja. Já era tempo! Jardim Ramos, Secretário dos assuntos sociais É verdade que não havia volta a dar, tais as proporções da pobreza real. O Governo assume a gravidade da situação e já tem um plano de acção. Jorma Talas, Empresário do ramo automóvel Partilhou nestas páginas as vicissitudes de um sector que também a passar por grandes dificuldades. Realista, apontou exemplos a seguir Joana Recharte, Aluna premiada a nível nacional No último ano lectivo foi considerada a 'melhor aluna' de História, no secundário, e acaba de receber o Prémio Alexandre Herculano. Conceição Estudante, Secretária do Turismo Os indicadores do Turismo regional contrariam a tendência de subida nos outros destinos. Espera-se uma reacção, não o efeito 'avestruz'. Zita Cardoso, Presidente da ACIM Os tempos áureos deram lugar a processos complexos. A penhora à ACIM, com portas arrombadas, podia e devia ter tido outro desfecho.