A fase final do Euro 2012 aproxima-se a passos largos, tendo a estreia agendada para o próximo dia 8. A Selecção Nacional estreia-se logo no dia seguinte, defrontando os pupilos da Sra. Merkel. Apesar de partir com a dificuldade acrescida de se encontrar inserida num verdadeiro "grupo da morte, a "Selecção das Quinas" vai tentar novamente esquecer a oportunidade - ingloriamente - perdida em 2004. Por estas e por outras razões, sempre que se inicia um europeu relembro-me, com saudade, do Euro 2004 de Portugal, que chegou a ser considerado pela UEFA como o melhor e mais bem organizado Europeu de sempre. Quem não se recorda da onda de apoio à Selecção, da euforia que assolou o país, da emoção do jogo contra a Inglaterra, de um país fervilhante e confiante e dos milhares de adeptos estrangeiros impressionados com a nossa capacidade de organização e com o nosso país? Na verdade, até do "camelo" do Scolari, que começou por deixar no banco a espinha dorsal do FC Porto que acabara de vencer a Liga dos Campeões, e que é tudo menos simpático ou bem-educado, tenho saudades... Com efeito, desde o Euro 2004 - quem diria que já se passaram 8 anos - muita coisa mudou. Portugal e Grécia, que então atingiram o pódio do Euro, estão hoje, pelas piores razões, na cauda da Zona Euro, correndo mesmo o risco de descida de divisão. Designadamente, a Grécia parece estar mais empenhada em vencer o campeonato dos actos eleitorais e a invasão da Troika, do que em promover a subida do "seu" seleccionador Fernando Santos ao Olimpo. Por outro lado, os Euros, que então permitiram construir os Estádios do Euro, e outras infra-estruturas, ou desapareceram, ou custam muito mais, tendo deixado de existir Euros para, sequer, assegurar a manutenção de alguns deles. Noutro plano, Durão Barroso, que, enquanto Primeiro-Ministro, "preparara" o Euro, e iniciara o trilho da austeridade, abandonou o país escassos meses após o termo da competição, deixando o caminho aberto a Santana Lopes, e passando a assistir desde Bruxelas ao descalabro que a ele - ou devido a ele? - se seguiu. José Sócrates tornou-se Secretário-Geral do PS, Primeiro-Ministro e emigrante/exilado de luxo em Paris. Pelo caminho - e de acordo com dados recentemente divulgados - gastou 460.000 Euros em refeições em cerca de 6 anos, acumulou dívidas que - sabe-se agora - nunca tencionou pagar e deixou o país na bancarrota. Cristiano Ronaldo, por seu turno, deixou de ser uma jovem promessa do futebol nacional e internacional, e que dava os primeiros passos rumo ao estrelato, tendo-se tornado um atleta/futebolista perfeito. Desde então acumulou títulos e marcou golos como ninguém, apenas lhe faltando atingir uma marca de golos por época superior ao custo diário das refeições do Gabinete de José Sócrates (210 golos/euros). Finalmente, José Mourinho, que acabara de revalidar o título de campeão nacional e de conquistar o 2.º título europeu consecutivo, confirmou que o sucesso obtido no FC Porto não se devera, exclusivamente, à bênção "papal" de Pinto da Costa. De 2004 até cá tem vindo a "espalhar magia" e a acumular títulos por essa Europa fora, revelando um apetite ainda mais devorador do que o dos "esfaimados" membros do Gabinete de José Sócrates. Como já terão percebido, na actual conjuntura, o apelo ao Euro 2004 e às personalidades anteriormente referidas não é inocente. Com efeito, o Euro 2004, Cristiano Ronaldo e José Mourinho são a prova de que o Português e Portugal são viáveis. A prova de que quando arriscamos, trabalhamos e sabemos valorizar o mérito somos capazes de alcançar o sucesso e de nos colocar entre os melhores do mundo. Para tanto, temos, como já referiu Cavaco Silva, que afastar a "má moeda" e não esperar que a mesma se afaste voluntariamente. Temos que perceber que o sucesso decorre do profissionalismo, do trabalho árduo e do talento, e não da "chica-espertice", do oportunismo e do compadrio. Finalmente, temos que nos consciencializar que a nossa dívida é mesmo para pagar e que, ou bem que a pagamos nós, ou a pagarão os nossos filhos e os nossos netos. Numa altura em que os discursos e os noticiários são - demasiadamente - negativistas e deprimentes, o Euro 2012 vem mesmo a calhar. Com efeito, para além de nos permitir acreditar - ainda que momentaneamente -, que existe vida para além da austeridade, permite-nos evocar aquilo que temos e fazemos de bom, indicando-nos um caminho e dando-nos alguma esperança. E independente da prestação da Selecção Nacional no Euro, Portugal e os Portugueses vencerão a batalha da Zona Euro!! Nota: Gonçalo Maia Camelo escreve de acordo com a antiga ortografia
Gonçalo Maia Camelo