A nova reforma curricular assenta em pressupostos economicistas e assume uma visão redutora do ensino, contudo, nem todas as suas propostas são negativas, pois torna-se justo referir também os aspetos positivos. Nesta perspetiva, relevo a preocupação nacional em reforçar a aprendizagem na língua inglesa tornando-a obrigatória no mínimo de 5 anos, tal como na Região. Concordo com a introdução de provas finais no 4.º ano e a manutenção no 6.º e no 9.º ano, nas disciplinas de português e de matemática, se o objetivo desse enorme esforço por parte do corpo docente consistir em perceber o nível em que os alunos se encontram, de modo a conhecermos as razões do insucesso para assim podermos intervir no sentido de melhorarmos os resultados. A oferta de Apoio Diário ao Estudo no 2.º ciclo, de frequência facultativa para os alunos, é correta. Tendo em conta os objetivos e a especificidade deste estudo e para que os alunos empenhados aproveitem bem, só devem participar neste tempo de aprendizagem aqueles que se sentirem motivados. Não obstante, em termos gerais, esta reforma curricular privilegia o saber teórico e prejudica a aprendizagem do saber fazer. Os alunos perdem a vertente mais prática do ensino e afastam-se da oportunidade de adquirir um conjunto de competências, essas sim fundamentais, para vencerem no mundo profissional, onde a capacidade empreendedora pode ser decisiva. Desvalorizar ainda o ensino artístico, as competências criativas e a formação cívica é desconhecer as exigências da era da globalização. Vivemos na sociedade da informação e da comunicação e, por isso, urge criar melhores condições nas escolas para que os alunos aprendam melhor a selecionar conteúdos com sentido crítico e aprendam a pesquisar o essencial, todavia, esta reforma não dá resposta a esta necessidade.
Rui Caetano, Professor