Severino Olim Num trabalho de um jornalista do DN sobre as receitas deixadas pelos turistas de cruzeiros que passaram pelo porto do Funchal no primeiro trimestre de 2012, retira-se que dos cerca de 206 mil turistas que desembarcaram no porto da capital madeirense deixaram na Região um montante superior a 14 milhões de euros, injetados no comércio e nos mais diversos serviços ligados ao turismo. É um dado de veras muito animador e encorajador para uma economia já de si muito fragilizada, valores que em larga escala ultrapassam aqueles que foram registados, em igual período, pelo principal porto do País. Por sua vez, as estatísticas já divulgadas pelo Observatório de Turismo de Portugal e pelo European Council acrescentam credibilidade a estes indicadores, revelando que o gasto medio por passageiro na Madeira foi na ordem dos 70 euros. Sou de opinião que este valor médio não deve deixar os responsáveis pelo turismo da Madeira conformados, satisfeitos e esperançados que surjam milagres que atirem este resultado para níveis mais elevados. É líquido pensar-se que é possível majorar este indicador, apostando em políticas de informação voltadas para os vários espaços culturais que a cidade do Funchal incorpora. Espaços de interesse turístico e cultural como museus, igrejas, edifícios públicos de reconhecida arquitetura, quintas e hotéis com jardins aprimorados e com coleções de plantas endémicas, pastelarias e restaurantes que fazem a delicia da nossa gastronomia regional, sem por de lado as nossas ruas e praças que respiram literária e poesia, cheias de misticismo e vivencias que tanto inspirou escritores e artistas nacionais e internacionais. São estes, em parte, os nossos ativos culturais mais sugestivos da cidade que devem ser disponibilizados aos turistas em brochuras gratuitas, descrevendo itinerários curtos, interessantes e diferenciáveis. Desta forma, a receita assim obtida, pode ir além dos tais 70 euros e seria na verdade uma forma muito barata de potenciar a promoção dos 500 anos do Funchal ou, seja, da nossa identidade cultural. Para tal, é necessário que os nossos responsáveis por este sector lancem mãos à obra e que a informação contida nestes pequenos itinerários seja facultada aos turistas, nomeadamente, aos que nos visitam por mar e que sempre acabam por entrar na cidade pelo troço novo da avenida mar despida da necessária informação turística.