É como cidadã e utente do serviço regional de saúde que vejo com apreensão a progressiva degradação das condições de trabalho dos profissionais e da qualidade da prestação de serviços públicos de saúde. O conjunto de medidas que têm vindo a ser tomadas pelo governo regional correspondem àquelas que foram sendo postas em prática para descredibilizar a saúde pública, gratuita e universal e deixar o caminho livre para que as grandes empresas avancem na privatização de um sector que gera gigantescos lucros quando liberta de regras éticas. Apesar dos esforços dos profissionais de saúde, entrar, por exemplo, no Hospital do Funchal é reviver muitas das descrições que ouvíamos há muitos anos: as longas listas de espera para as consultas da especialidade e cirurgia, os espaços que não respondem às necessidades apesar de obras constantes, o desabafo sobre limitações impostas aos profissionais, a escassez de medicamentos, a insuficiência de meios de tratamento e diagnóstico, a falta de quase tudo. O compromisso assumido com a troika através do Programa de Ajustamento Financeiro da Madeira prevê a redução de 20 milhões de euros em 2012 no SESARAM, ora isto não corresponde a correcções de gastos supérfluos mas sim a cortes em serviços essenciais e ao aumento dos encargos cobrados aos utentes. A par de tudo isto, somos assaltados pela venda de produtos das seguradoras que como abutres cercam os nossos receios e "oferecem" o "admirável mundo novo" do sistema norte-americano onde a degradação do sistema público permitiu que o objectivo lucro decida, arbitrariamente, sobre a vida e a morte. É tempo de lutar pelo nosso serviço regional de saúde e mobilizarmo-nos para que o acesso a um serviço de saúde de qualidade, suportado pelos nossos impostos, seja uma garantia de bem-estar para todos os madeirenses. Apoiar os movimentos de utentes é uma forma de dar força e voz ao imperativo moral da defesa da saúde.
Isabel Cardoso, Professora