José Claudino da Silva As figuras proeminentes não estão nos picos da ilha, vegetam nos túneis sórdidos dos edifícios junto ao mar. Por vezes emergem pomposamente fazendo alarde do seu poder subterrâneo e, em plena luz do dia, fazem o diagnóstico da populaça. Colocam o dístico. "Tudo sob controlo". Regressando seguidamente aos labirintos do poder. Cá em cima as correntes da ignorância aglutinadas em grupos subjugados ao sistema, permanecem inalteradas ano após ano, como sempre, fáceis de dominar. O problema está na classe das encostas médias, que não sabendo se subir ou descer, se interrogam amiúde qual o lugar que ocupam. Ora é justamente nos porquês de quem se interroga que reside o perigo de quem tem o poder, e eu, que nestes últimos seis anos passo férias na Madeira, nunca vi tanta gente a interrogar-se como agora.