Na semana passada pus-me a pensar. No Pingo Doce, na promoção dos 50% e de tudo o que se dizia disso. E depois - inevitavelmente - "localizei" a coisa. E cheguei a uma conclusão: Entre a promoção do Pingo Doce e o turismo da Madeira não há grandes diferenças. Vejamos: os preços foram reduzidos de tal maneira que qualquer pessoa vê que têm de estar abaixo do custo; com esta redução de custo, procurou-se atrair um público que não é o alvo normal do Pingo Doce (nem o a Madeira…); a "coisa" foi anunciada como um esforço enorme do supermercado - e acredito que seja - mas quem vai ser mais espremido vai ser o fornecedor, que já trabalhava com margens mínimas. Não tenho, a priori, nada contra as promoções. Tenho algum receio das consequências das promoções, no sentido em que podem por em causa a sobrevivência das empresas mais pequenas, nomeadamente do comércio tradicional - embora aqui, deva também dizer que o comércio tradicional fez bem pouco por si próprio, tendo nomeadamente demonstrado uma enorme incapacidade de adaptação a novas realidades, como horários de funcionamento e acessos mais difíceis. Quanto ao turismo, nada de novo: as margens continuam curtas, o sector continua a ser incapaz de atrair novos mercados - e principalmente, parece-me "velhos" mercados ( os idosos da Europa ocidental), e as entidades responsáveis pela gestão e fiscalização do sector continuam a parecer adormecidas. Preocupa-me muito, também, a informação que a Secretaria de Turismo estaria a divulgar informação falseada, nomeadamente em relação ao número de visitantes. Quanto maior a mentira, mais fácil é acreditar nela, mas quando se é apanhado a mentir, todo o "sistema" rui pela base…
Roberto Loja