Gaudêncio Figueira Alarme Social, daquele que corrói as entranhas dos cidadãos, é o que se passa no SESARAM. A 13 de Fev. e a 07 de Abr. falei do SESARAM. Volto, para falar de um sistema de saúde, doente, que deixa morrer um cidadão com malária. Há uns pontos prévios que reputo úteis. Um médico, trabalhando num hospital, exerce a sua profissão com o mesmo rigor com que o faria no seu consultório. A medicina, como qualquer outra profissão, tem bons e maus profissionais. A remuneração dos médicos, servindo nos hospitais, é a determinada pelo empregador - o Estado. A 20 de Abr. morreu Jorge Alves. Malária é doença conhecida. Logo, do ponto de vista clínico, não parece haver problema técnico insuperável. Os médicos que acompanharam o doente estando, como estão, inseridos num serviço público responsabilizam-se duplamente: perante a Ordem dos Médicos, e, a hierarquia do hospital. Resta-lhes, depois do sucedido, calarem-se, não alimentando qualquer debate junto da opinião pública, ainda que alguns, tenham sido elogiados na carta. Terrível fim de carta onde se pede que a doença, que vitimou o amigo, se vier para o seu autor, que seja em África. O amigo do falecido põe-nos abaixo da Guiné Equatorial! A defesa do bom nome e eficácia dos serviços cabe aos nomeados, por escolha política, para darem a cara por eles. Para isso pagamos impostos que lhes garantem vencimentos. Porém, parecem emigrados para a lua. Imagine-se, não viram nem sabem de nada. A desconfiança instala-se, o alarme social cresce. Numa terra onde a Liberdade fosse respeitada há muito teriam sido exonerados para que tudo fosse esclarecido. A situação na hemato-oncologia (abordada nas cartas anteriores) não é diferente. Esclareçam. Poderão ter toda a razão do mundo os Senhores que nos devem explicações. Enquanto estiverem calados, continua na opinião pública a ideia de que o critério de selecção dos doentes, para tratamentos, é a esperança de vida. Coisa nada simpática para um médico que conviva com (pior, execute) essa determinação. Não sabermos o que nos que espera, a nós, e à família, numa hipotética ida ao hospital, é o pior dos alarmes sociais.