Jardim virou presidente do contra. Tenta afirmar-se por via do não sistemático, típico em meninos birrentos quando lhes falta a chucha. Finge estar em ruptura com tudo quanto gerou ou do qual foi aliado. E se lhe sugerem alternativas, soluções e utilidades é peremptório: não, não e não!
Não subscreve a política da austeridade. Não está para brincadeiras no PSD-M. Não quer aturar a República Portuguesa. Não gosta da actuação da GNR. Mas também não ouve ninguém. Não deixa que lhe digam verdades. Já não viaja, com receio de perder o comando. Não vai ao arraial do Marítimo, temendo ser vaiado de novo. E como não tem nada de vulto para inaugurar, tudo serve para não sair de cena, do pequeno ecrã, das folhas de jornais e dos noticiários radiofónicos.
Mesmo assim, na passada semana, assumiu entre dentes que “não precisa da comunicação social para nada”. Quem ouviu o desabafo ficou perplexo. Com a lata, mas acima de tudo com a mentira, com a irresponsabilidade e com os indícios de fuga presidencial aos compromissos assumidos, sobretudo com um dos meios endividados à conta da sua obsessão.
O presidente do “não” até tem razões de sobra para rumar ao exílio, dedicar-se aos gatos e araras, escrever memórias ou passar o tempo a bater umas bolas de ténis com o comissário predilecto, o moço de recados que lhe mais mostra serviço. Mas antes terá que ouvir das boas.
Jardim não é nada sem a comunicação social. Usa-a para tudo. A que paga abusivamente com o nosso dinheiro serve para contentar escribas do regime; para ofender adversários políticos e gente inocente; para fomentar ódios; para dar cabo da sã concorrência; para ocultar o verdadeiro caos social; para branquear patifarias governativas; para engraxar clientelas; para tratar do futuro dos seus e até para acertar contas consigo próprio. Quanto à que sobrevive à custa do estatuto editorial, dos leitores e dos anunciantes, como não consegue controlá-la nem nela ter qualquer tipo de influência, tenta em vão que esteja ao serviço das suas frustrações, desmentidos e ameaças. Daí que aparentemente a desdenhe, embora desejoso de exercer a manipulação plural, ou seja, de ter em cada um dos meios da imprensa dita hostil alguns infiltrados subservientes, funcionários sem escrúpulos que mostram alinhamentos e fotos e que aceitam publicar textos ditados pelo poder.
Só quem corrompe o jornalismo desta forma se atreve a dizer que “não precisa da comunicação social para nada”.