O PS-Machico Na sequência da carta publicada, no passado dia 10 de Maio, pelo leitor João Gomes, sob o título "Mentiras", o Partido Socialista, respeitando, naturalmente, a opinião do sr. leitor, mas não concordando com ela, vem esclarecer o seguinte: A nós, de facto, já era de estranhar que a terreiro não tivesse ainda comparecido alguém, qual advogado de defesa do sr. ex-secretário, pois parece que vão rareando, com o tal discurso das virgens imaculadas, quando a intuição popular aponta exactamente o contrário. Já afirmava Sócrates, o tal grego incontornável, que V.Exª tanto admira, que "A maneira mais fácil e mais segura de vivermos honradamente, consiste em sermos, na realidade, o que parecemos ser." Quanto ao caminho agrícola em causa, contra o qual o Partido Socialista nada tem, bem pelo contrário, de facto o próprio sr. João Gomes o confirma, que já em 2001, houve esforços desenvolvidos pela Câmara de então, para dar corpo ao anseio dos agricultores daquela encosta de Machico, o que não se augurou fácil de conseguir na recta final de um mandato autárquico. A verdade é que, apesar do PSD estar a governar a Câmara desde 2002, não foi dado logo sequência ao tal primeiro abaixo-assinado, de que o leitor fala, o que só veio a acontecer 10 anos depois, por sinal, e cirurgicamente, em vésperas de eleições regionais, conforme é recorrência do partido da mão aberta - por isso pagamos todos -, numa estratégia propositada, baseada no acicatar da necessidade, durante um período mais ou menos longo, instigando, junto dos que pretendem aquele bem, um desejo compulsivo, terminando numa gratidão orientada, em benefício de uma determinada figura ou personalidade. Acusar-nos de mentira, sr. João Gomes, não cala aquilo que o povo sente e fala à boca pequena. E é esse mesmo povo que acusa, embora com medo de dar a cara. Mas sempre vai comentando, que para poderem ser beneficiados pelo caminho agrícola tiveram de ceder parte dos seus terrenos, enquanto que outro é favorecido e "tocado" pelo dito acesso, sem que contribua com um palmo de nada, pois todas as curvas são mais do que bem pensadas, segundo a sua própria e exaustiva explicação do traçado. Um co-piloto de rali não faria melhor. Em relação ao facto do sr. leitor afirmar que queria vender ao "camponês engenheiro" e ele não ter querido comprar, enfim, está no seu direito, mas, mesmo assim, soa-nos a encomenda mal amanhada. Então, sr. João Gomes, logo agora, que tem caminho para o terreno, numa aspiração de tantos anos, é que quer vender?! Já agora, deveria ter dito porquê. Será que afinal já não compensa? Será que V.Exª perdeu o apetite pela agricultura? Ou será que essa desmotivação tem a ver com o facto dos agricultores não terem água na Levada Nova para irrigarem as suas culturas? Como acontece neste momento e já há mais de um mês, com tudo a secar, porque falta o líquido precioso. Numa situação que atinge proporções gravosas e sacrifícios para os agricultores, que vêem as culturas perdidas e que, em acto de desespero, regam de mangueira com água potável, apesar do preço exorbitante que terão de pagar à tal empresa ARM, que tem como administrador o filho do Dr. Jardim, pois não aguentam ver aquilo que plantaram a definhar. Bem-haja, sr. João Gomes, mas, definitivamente, não nos convence.