Vivemos num mundo que se move a diferentes velocidades. Velocidades que residem, também e tão simplesmente, na nossa capacidade de apreender e compreender este mesmo mundo. Isto surge a propósito de comunicação. Não tem muito mais de vinte anos, era eu estudante universitária… Recordo-me que então, ao grande público, começavam a chegar os primeiros computadores pessoais, na altura com impressionante envergadura. Começa-se a ouvir falar da internet e das páginas web. Apareciam os primeiros telemóveis. Lembro-me tão bem do meu fascínio pelo "tijolo" da Alcatel. Repito, não tem muito mais de vinte anos. Hoje, difícil é passar mais de 24h sem ter feito o meu jogging pelo correio eletrónico, pelo Google, Facebook, Twitter, LinkedIn, YouTube. Aterro diariamente em "n" páginas web. Passo ainda com frequência pelo chat, pelas notícias, pelo dicionário ou pelo tradutor. Vejo as opiniões dos consumidores antes de comprar um produto e vejo o que dizem os especialistas sobre um determinado assunto. Acedo remotamente às minhas notas e ficheiros. Percorro a tão vasta biblioteca e montra que a internet permite… Mas mais, já não o faço sentada em frente à secretária. Faço-o em mobilidade! A partir de qualquer sítio, através do tablet ou do smartphone. Constato até que a televisão já não tem um papel fulcral no meu dia-a-dia, pelo menos através da agenda imposta pela programação. Além disso, neste ambiente de crise, ouvimos falar em cortes nos almoços e jantares, no vestuário, no calçado, na gasolina, aguentar o carro e controlar as férias. Mas ouve-se pouco ou muito pouco sobre cortar nas comunicações. Na indústria do turismo a compra faz-se de forma desmaterializada, ou seja, tomam-se decisões essencialmente baseadas em fotografias, vídeos, textos, preços e opiniões. É fundamental que os agentes turísticos estejam francamente atentos ao fenómeno da comunicação e aos impactos que estes poderão trazer ao seu negócio. Muito exigente este mundo... Não sei para onde caminhamos, mas claramente que a pressão é tal, que passar uns bons e equilibrados dias de férias poderá simplesmente passar de um quase luxo a uma quase necessidade primária no leque das prioridades de uma família. Tento, mas não sou capaz de imaginar como será daqui a 20 anos…

Fabíola Pereira, Gestora de Marketing