Os resultados eleitorais na Grécia no passado dia 6 de Maio, deixaram bem claro que a sociedade Grega não está disposta a aceitar as condições impostas pela Europa. Os partidos de extrema-direita e extrema-esquerda (antes minoritários), cujos discursos são predominantemente contra os acordos com a Troika, conseguiram igualar os partidos que antes governavam. Uma vez que nenhum partido conseguiu superar 20% de votos, torna-se quase inevitável que sejam realizadas novas eleições, pois a probabilidade de formação de governo parece muito pouco provável. Mas entretanto mantêm-se em aberto hipóteses de formação de um governo. Uma delas é a formação de um governo radical, opção muito pouco provável, mas possível, que teria como ultima consequência o abandono do acordo com a Europa e a nacionalização dos bancos. A outra hipótese, é a formação de um governo de unidade, que é talvez ainda menos provável, uma vez que seria muito complicado encontrar um líder que conseguisse reunir consensos.

A hipótese de se realizarem novas eleições em Junho é a mais provável. É complicado fazer previsões, mas tendo em conta os últimos resultados eleitorais, é fácil deduzir que os partidos com um discurso anti-europa tenham melhores resultados eleitorais. Neste momento, o ministro das finanças Grego já veio a público dizer que a situação de liquidez para Junho é muito complicada caso não recebam as tranches que estão acordadas com a Troika. Por outras palavras, em Junho a Grécia já não tem dinheiro para pagar salários e gastos correntes. A permanência da Grécia no euro está então dependente do resultado das novas eleições, pois se o partido eleito for anti-europa, nem o FMI, nem o fundo de estabilidade vão disponibilizar as tranches acordadas e o país entra automaticamente em default e a saída do euro é inevitável.

Quanto a mim, neste momento, uma saída hipotética da Grécia do sistema, não é nem simples nem clara, e inclusivamente pouco benéfica para os restantes países. Isto porque temos de considerar que o perigo de contágio para Portugal e para Espanha é real e quanto a mim ainda não foi acautelado. A Europa falha em tomar medidas anti-contágio, para que a provável saída da Grécia do Euro tenha consequências pouco traumáticas para o euro, pois se saísse um país como Espanha, por exemplo, veríamos o fim da união económica europeia tal como a conhecemos. Se forem acauteladas medidas anti-contágio, a saída da Grécia causaria algum pânico nos mercados financeiros, com repercussões nas bolsas europeias e nos preços dos títulos de divida, mas acredito que rapidamente seja encontrado um equilíbrio, pois trata-se de um país que não contribui significativamente para a economia Europeia.

Luís Pedro Branco, Gestor Financeiro