Uma frase
. "É um dos mecanismos mais sinistros da comunicação social portuguesa: como o jornalismo é muito opinativo, o ego dos opinantes fica preso na opinião dada". Quem a escreveu foi Pacheco Pereira, na Sábado. Tem alguma razão, embora o jornalismo não deva resumir-se à difusão insonsa e descolorida dos factos. Mas em nome da verdade e da credibilidade, o código deontológico manda interpretá-los com honestidade, o que é bem distinto do que dissertar com base em preconceitos.
Duas curiosidades
. O mundo em que vivemos produz. E muito, embora mais para o digital do que para o real: 864 mil horas de vídeo para colocar no youtube; quase 1.300 aplicações; 2 milhões de posts escritos em blogues; 294 mil milhões de emails; 250 milhões de fotografias colocadas no Facebook, rede que é visitada por 172 milhões de pessoas que gastam 4,7 mil milhões de minutos diários em navegação.
. O mundo em que vivemos tenta ser feliz. O que eu não sabia é que a Costa Rica lidera a geografia mundial do bem-estar, país que tem um pib per capita inferior ao nosso. Portugal deprimido é apenas o 77.º da tabela, muito atrás da Grécia. Não admira que só tenhamos um doutorado em economia da felicidade!
Três preocupações
. Os portugueses de todas regiões revoltam-se mais com as arbitragens dos jogos de futebol do que com o aumento do custo de vida, com a perda de regalias e com as incoerências dos governantes. Discutem mais se a falta foi cometida fora ou dentro da área e se o cartão amarelo foi ou não exagerado do que as soluções que urge encontrar para tapar os buracos financeiros, sem sacrificar mais quem trabalha e sem mandar para o desemprego quem ainda tem muito para erguer. Comentam mais, e sem lucidez, a justiça ou a sorte dos quatro golos com que o Nacional deu as ‘boas páscoas’ ao Marítimo do que o novo aumento no preço dos combustíveis. Estranhas prioridades estas.
. Atendendo à situação invejável da Região, Jardim legitimou as suas ausências ‘low cost’, ordenando as habituais tolerâncias de ponto pascais. Qualquer vítima mundial da austeridade sonha um dia com tamanho ócio e até é capaz de julgar que "não há nada melhor no mundo como trabalhar para um governo rico e com autonomia", como denunciou, na última revista 'Sábado', Gonçalo Pinheiro. Quem se habituou a nada fazer não se apoquenta que só volte a banhos em Agosto. Meter água, por muito menos do que 20 euros diários, é a imagem de marca do responsável pelo estado a que isto chegou. E nós a pagar os estragos.
. Algumas reacções ao pós-jardinismo de distintos social-democratas madeirenses dão que pensar. Provam que não querem ser nada e que sem Jardim não lhes dá jeito sobreviver. Afinal, de que se queixam os que prolongam o reverso da democracia?