Abril. Finalmente chega o frio acompanhado de alguma (pouca) chuva. Enquanto escrevo estas linhas lá fora caem algumas gotas que, nos pontos mais altos da Madeira, serão de neve (pelo menos é o que dizem os meteorologistas). No conforto do lar, nesta altura de páscoa, a inquietação invade-me. Entre a satisfação pela queda de algumas gotas de chuva, indispensável para a sobrevivência de muitas famílias que dependem unicamente dos produtos da terra, e a revolta pela situação dramática em que vivem tantas pessoas que não têm o que colocar na mesa para matar a fome aos seus filhos, interrogo-me sobre a natureza conformista do madeirense perante "a inevitabilidade" que nos querem vender. Os governos, de cá e de lá, aumentam os combustíveis para níveis incomportáveis e a gente da minha terra encolhe-se! Os governos, de cá e de lá, aumentam o IVA e cortam nos salários e pensões, e a gente da minha terra encolhe-se! Os governos, de cá e de lá, roubam-nos os subsídios de férias e de Natal e a gente da minha terra encolhe-se! Os governos, de cá e de lá, atiram-nos na pobreza e na exclusão e obrigam os nossos filhos a passarem fome e a gente da minha terra encolhe-se! Perante estes roubos e maningâncias, cuja responsabilidade é, também do governo regional, a gente da minha terra entretém-se a discutir se o Albuquerque, o Cunha ou o Correia é que serão os melhores para liderar o partido que nos levou a esta situação de desespero. E ainda há, na 'oposição' alguns idiotas que dão para o peditório e criticam as outras (verdadeiras) oposições por não ligarem a essas 'manobras de diversão'. Quando deixaremos de ser um um exército de inconformados de sofá?! Abril é Revolta e Revolução! O 1º de Maio é o dia de virmos para a Rua mostrar a nossa indignação! Juntem-se a nós e às organizações representativas dos trabalhadores que se opõem a este poder e venham para a rua Lutar! Antes que nos matem à fome!

Roberto Almada, Líder do BE-Madeira