A sobrevivência é um instinto básico de qualquer ser humano. Por esta altura qualquer um de nós já sentiu, de uma forma ou de outra, o resultado do famoso plano de austeridade. Muitas famílias vivem o flagelo do desemprego e as que não o vivem sentem os seus postos de trabalho ameaçados. As empresas, a cada dia que passa, têm maiores dificuldades em efectuar as suas operações. Sentem, principalmente, o aumento dos custos associados às suas áreas de actividade e uma grande quebra no mercado de consumo. O consumidor final trava uma difícil batalha diária, por um lado vê o seu rendimento disponível diminuir e por outro, vê os bens necessários para fazer face às necessidades do quotidiano aumentarem. Ainda no início do corrente mês viu o preço dos combustíveis aumentar abruptamente. Face a este cenário é natural que paire um clima de inquietação no ar. Os acontecimentos recentes conduzem a esse estado. Basta abrir um jornal ou ligar a televisão para desmoralizar até o individuo mais optimista. Todos nós ouvimos desde muito jovens que "a necessidade aguça o engenho", no entanto, não estávamos minimamente preparados para a jornada adversa que atravessamos. Direitos que tínhamos como adquiridos pois habituamo-nos a viver com eles, subitamente desapareceram. Acabamos por sair da "zona de conforto" a que estávamos habituados. Assim, urge despertar o instinto de sobrevivência que estava adormecido e procurar soluções. Um dos principais chavões da economia faz, actualmente, mais sentido que nunca: recursos escassos para fazer face a necessidades ilimitadas.
Pedro Nunes, Economista