São grandes as dificuldades por que passamos na Madeira. Parece um daqueles temporais de sul com ondas fortes que galgam a costa e invadem o Funchal… É o IVA que cresce brutalmente e, por via disso, faz crescer os preços dos bens e serviços. É o IRS que alinha por Lisboa. O IRC também. É o preço dos combustíveis que é puxado para valores superiores aos nacionais. São as empresas que encerram e lançam o desemprego para máximos históricos. São os salários e os benefícios sociais que são reduzidos, com impacto negativo na procura interna. É o pequeno comércio e a restauração em dificuldades. E mesmo a grande distribuição a abanar! E até a hotelaria… meu Deus! São ondas que batem forte na costa. Mas "o rebentar de uma onda não pode explicar o mar todo"… como dizia um autor russo. O oceano todo é o mar de erros e omissões deste poder laranja de trinta anos. É o monstro do despesismo e a irresponsabilidade do endividamento. É a cultura da ignorância alimentada por betão. É a secundarização da Educação. São as piscinas inutilizáveis. São os túneis e as vias rápidas sem retorno económico nem social. São as marinas sem barcos e os heliportos sem uso. São os investimentos a fundo perdido no desporto profissional, nos centros cívicos… São todas as megalomanias… Sem tudo isto estaríamos melhor? Sim. Teríamos menos IVA, menos IRS, menos IRC, mais e melhor economia, mais emprego, menos desemprego, mais segurança, mais sustentabilidade… Em suma menos infra-estruturas e mais bem-estar. Mais qualidade de vida mesmo que na aparência fossemos 'menos desenvolvidos'… Perante esta evidência o poder laranja divide-se mais por razões tácticas do que estratégicas. Mas no topo do poder laranja a tendência é 'sacudir a água do capote'. A culpa é dos outros. A começar por Sócrates e pelos socialistas… "A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos é na mais cega de todas" disse o padre e escritor português António Vieira, no longínquo Século XVII. Daí para cá alguns nada aprenderam… Mas os madeirenses aprendem, agora, por experiência própria, que afinal a dita "Madeira Nova" tinha uma factura gigantesca a apresentar-lhes.
Maximiano Martins, Deputado do PS-Madeira