Para variar, e não arriscar apenas uma queixa-crime, permitam-me 10 curtas considerações sobre pormenores da actualidade publicada.
1. Conceição Estudante vai faltar à Conferência Anual do Turismo (CAT). É um direito, embora fosse seu dever lá estar. Não para se fazer notar, mas para ouvir. É no mínimo estranho que a governante, depois de confirmar a presença em representação do presidente do Governo, troque a conferência que passou a ser a maior de Portugal sobre turismo e que motiva a vinda de destacados oradores e moderadores nacionais, por uma viagem a Londres que podia ser feita no dia seguinte. Uma desconsideração que poderá ser bem mais gravosa se não tiver o bom senso de se fazer representar na CAT pelo director regional de Turismo.
2. Jardim também não vai estar na VI CAT. Consta que vai andar uma semana por Bruxelas. A menos que vá prestar contas à Comissão Europeia pela má gestão de dinheiros públicos, entre os quais os fundos europeus, e pela teimosia em continuar a pôr em risco o pluralismo na imprensa escrita regional, esta deslocação era perfeitamente dispensável num contexto de austeridade, mesmo sabendo que há práticas habituais que não são passíveis de execução via vídeo-conferência. Coisas que nem a corajosa paroquiana do Estreito da Calheta imagina.
3. Os responsáveis europeus pelo programa ‘LIFE’ assumem que Madeira é exemplo a seguir na utilização de fundos destinados à conservação da natureza. Não temos dúvidas que nesta ilha em que alguns governantes mandam deitar terra ao mar, entulho nas ribeiras e aterros nos cursos de água ainda há projectos merecedores de prémios internacionais, por muitos custos políticos que tenham.
4. O provedor de Justiça repreendeu Jardim Ramos pela manifesta falta de pachorra do secretário que não se dignou responder à petição contra o encerramento de centros de saúde. O que falta a muitos dos detentores de cargos públicos na Região é mesmo humildade. Porque competência nunca foi condição obrigatória.
5. Agora que o campeonato está entregue e bem ao FC Porto, clube ainda incrédulo com a generosidade de Jesus e seus discípulos, é recomendável que quem tutela a arbitragem em Portugal reveja os manuais e as posturas, de modo a erradicar de uma vez por todas a dualidade de critérios e as consequentes suspeitas de favorecimentos. Quem fomenta a fraude, mesmo que contribua para intermináveis discussões televisivas sobre lances, ângulos e ‘ses’, está a mais no futebol, modalidade que, como todas as outras, devia ter orgulho em afirmar-se pelos méritos dos seus praticantes, não permitindo que quem ajuíza tenha qualquer influência na conquista de um título.
6. Para quem ainda não deu por isso a Madeira futebolística tem razões para festejar. Ruben Micael é campeão nacional, graças aos 27 minutos de azul e branco vestido. Danny também já é campeão na Rússia e Ronaldo está quase a festejar sucesso idêntico na Liga espanhola. Estas conquistas não resolvem a crise mas alimentam o ego insular. Antes tesos e felizes do que milionários deprimidos.
7. A festa da flor já lá vai, mas na avenida do Mar, nas costas do aterro, parece que o desfile vai voltar a passar. Isto porque a inestética bancada vip continua montada e a ocupar espaço numa zona que se quer livre e atractiva. Estará já à espera do rali ou a ideia peregrina de decorar mobiliário urbano também vai chegar ao Funchal?
8. No espaço de três dias, Cunha e Silva surge dos dois lados da barricada, ou seja, risonho ao lado de Miguel Albuquerque e de rosto mais fechado junto a Jardim e Manuel António. Foi escolhido para fomentar consensos, gerar discórdias, testar o coração do ‘chefe’ ou estará indeciso sobre a ala a apoiar, caso não assuma uma candidatura?
9. Diz quem viu as últimas ‘Conversas improváveis’ que Marinho Pinto, o bastonário crítico da justiça-espectáculo esqueceu-se do tom que lhe garante mediatização contínua e rendeu-se ao formato do programa da SIC. Consta que optou por dar um ‘show’ de irreverência democrática ao lado do líder madeirense, branqueando-lhe atitudes, ou seja, portando-se como advogado de defesa. Não fora estarmos a comemorar o dia mundial do sorriso e o caso era de polícia.
10. Vender casas através de rifas ganha novos adeptos em todo o país. Dizem que a moda ainda não aterrou na Madeira, mas como não vai tardar, tenha atenção que muitos desses concursos, com preços que oscilam entre os 10 e os 100 euros, não são autorizados. Mais uma para a GNR libertar!